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sábado, 11 de dezembro de 2010

A história do ator pornô que contraiu HIV no set



Anna Carolina Lementy



O ator Derrick Burts se emociona durante entrevista coletiva a veículos americanos

Há dois meses, o ator Derrick Burts, de 24 anos, descobriu que é soropositivo. Primeiro, ele ficou em silêncio. Esta semana, resolveu expor seu drama. Burts afirmou, durante uma entrevista coletiva, que foi infectado pelo vírus durante a gravação dos filmes pornográficos de que participou. Ele teve relações sexuais com mulheres e homens. E agora quer que o uso de preservativo durante as cenas se torne obrigatório.

Na indústria dos filmes para adultos, a camisinha é mal vista. No Brasil, ela era utilizada até 2004. Hoje, apenas uma produtora exige que os atores se previnam durante as gravações. O que as empresas do ramo fazem então? Submetem seus atores a exames periódicos, como se isso fosse capaz de prevenir o contágio. “Esquecem”, porém, da janela imunológica, que é o intervalo de tempo – de 30 a 60 dias – entre a infecção pelo vírus e a produção de anticorpos pelo organismo. São esses anticorpos que indicarão se houve contágio. Se um teste de HIV é feito durante o período da janela imunológica, há a possibilidade de apresentar um falso resultado negativo.


“É um arranjo matemático. Colocamos os atores de um grupo seleto para contracenar, pois sabemos que eles não têm o vírus”, afirma Edson Strafite, produtor de filmes para adultos. “Entretanto, os riscos existem. Todos deveriam se proteger”. Mas não se protegem. Segundo Strafite, a camisinha não é vetada no set de filmagem por questões estéticas, mas sim porque a falta de proteção excita mais os espectadores. “Um filme com preservativo vende menos”, diz.

Na indústria norte-americana, a camisinha é exigida apenas em produções de filmes com temática homossexual. Burts acredita que tenha sido infectado durante uma filmagem desse tipo, na Flórida. Ele disse que é comum o uso de camisinha durante a penetração, mas não durante o sexo oral. Ele, que também contraiu clamídia, gonorréia e herpes, lamenta o fato de não ter sido informado sobre esses riscos todos pela clínica que responde pelas condições físicas dos atores que participam de filmes pornográficos, a Adult Industry Medical Healthcare Foundation. Segundo ele, a entidade lhe prometeu ajuda para conseguir um médico e fazer o tratamento indicado, mas isso não aconteceu.

A única providência tomada pela clínica foi notificar os atores e atrizes com quem Burts contracenou. Eles também foram colocados em uma espécie de quarentena até a realização dos próximos exames. Burts afirma que a clínica fez um rastreamento e sabe qual ator lhe transmitiu o vírus. É um “conhecido soropositivo”, cujo nome não pode ser divulgado em respeito ao sigilo estabelecido entre médico e paciente. A irresponsabilidade permeia a história toda. É tamanha que a história de Burts pode ser a de muitos outros profissionais do ramo.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

MONTANA FISHBURNE

Celebridades

19/08/2010 - 21:29






Gente
De fio dental, Montana Fishburne agora é capa de revista pornô
Filha do ator Laurence Fishburne já fala em carreira na pornografia

A atriz pornô Montana Fishburne

Papai não vai gostar. Mas ela não está nem aí. Com o dedo indicador pousado sobre a boca e o quadril coberto apenas por um fio dental, Montana Fishuburne, a mais nova sensação do cinema pornô americano, ataca novamente. Desta vez, a filha do ator Laurence Fishburne é capa da revista pornográfica As Is. "Não é que eu não ligue para ele, mas estou transando e fazendo a minha carreira", diz a atriz logo na capa.

Desde que estreou no segmento pornô sem contar para a família, Montana vem encarando o silêncio do pai. "Não vou falar com você enquanto você não mudar a sua vida. Você me envergonha", teria dito Laurence à filha.

O pornô de Montana, que tem apenas 19 anos, já está esgotado, de acordo com a Vivid Entertainment, produtora do filme.

domingo, 11 de julho de 2010

PORNOGRAFIA AUMENTA VIOLÊNCIA SEXUAL



Pornografia aumenta violência sexual contra mulheres e crianças, diz socióloga americana


Marcela Buscato

A socióloga americana Gail Dines é uma crítica feroz da indústria do entretenimento adulto. É uma das fundadoras do movimento Stop Porn Culture (algo como “Parem com a cultura pornô”), dá aulas de sociologia e gênero na Faculdade Wheelock, em Boston, nos Estados Unidos, e é figura fácil em programas da televisão americana para falar sobre a opressão sofrida pelas mulheres. Mas, em seu último livro, a discussão lançada por Gail vai além da imagem negativa que a pornografia constrói sobre as mulheres. Em “Pornland” (Terra do Pornô), lançado no fim de junho nos Estados Unidos, Gail levanta uma hipótese perturbadora. Os filmes pornográficos, acessados pela internet por qualquer adolescente, seriam os responsáveis pelo aumento de casos de violência sexual contra a mulher e contra crianças. “Os estudos mostram que entre 40% e 80% dos homens que fazem download de pornografia infantil acabarão se envolvendo em algum tipo de abuso contra menores”, disse Gail ao Mulher 7×7. Para a autora, a única solução seria definir por lei a pornografia como uma “violação de direitos”.

Mulher 7×7 – Não é muito forte dizer que a pornografia pode incentivar abusos sexuais contra mulheres e crianças?
Gail Dines – As imagens têm um impacto profundo sobre nós. Isso não significa que um cara que se masturba vendo pornografia irá estuprar uma mulher. Mas os estudos mostram que no caso de homens inclinados a praticar violência sexual, quanto mais pornografia eles assistirem, maior é a chance de eles cometerem crimes. Já entrevistei muito desses agressores e tenho certeza absoluta de que o crescimento da divulgação de materiais pornográfico usando crianças – ou explorando o universo infantil – está aumentando a violência sexual contra crianças. Algumas pesquisas mostram que entre 40% e 80% dos homens que baixam da internet pornografia infantil acabarão se envolvendo em algum tipo de abuso contra menores. Os estudos definitivamente sugerem que há uma ligação.

Qualquer tipo de pornografia pode incitar a violência?
Esse efeito pode ser gerado pela principal forma de pornografia produzida pela indústria do entretenimento. É aquela em que a mulher é subjugada pelos homens, sofre penetrações múltiplas. É o tipo de pornografia mais lucrativa para a indústria do entretenimento, são eles mesmos que falam isso. O que a pornografia faz é relacionar a sexualidade ao menosprezo pelas mulheres. É uma combinação muito ruim, especialmente quando pensamos que os meninos veem pornografia pela primeira vez por volta dos 13 anos. O que significa para um menino que ainda está desenvolvendo sua sexualidade ver esse tipo de pornografia? Quanto mais erotizamos essas imagens, mais dizemos aos homens que é dessa maneira que eles devem tratar as mulheres, que eles devem achar isso excitante. E os garotos vão construir suas identidades sexuais em torno dessas imagens.

Mas isso não quer dizer que todos se transformarão em estupradores.
Nós tendemos a estereotipar a discussão com “se ele assistir isso, vai estuprar”. Essa é só uma pequena porcentagem dos homens. Eu estou preocupada com a maior parte dos homens e como isso os afeta. O efeito é mais sutil e se traduz na maneira como um garoto pensa sobre a namorada, sobre como ele quer o sexo com ela, como encara sua sexualidade.

A socióloga Gail Dines, autora de "Pornland"

Na sua opinião, a pornografia se tornou mais violenta do que a década de 1970, quando feministas promoveram campanhas para denunciar a imagem de mulher-objeto que esses filmes transmitiam?
Não há comparação. Antes, o que era considerado um tipo de pornografia muito pesado, que tinha de ser comprado em lugares especiais, hoje é tido como normal. Os adolescentes podem baixar pela internet. Esse aumento da violência aconteceu porque os homens se entendiaram com a pornografia disponível. O acesso a esses materiais é tão fácil que os homens se tornaram insensíveis aos apelos do pornô. Por causa disso, a pornografia precisa continuar aumentando o nível de humilhação das mulheres para manter o interesse dos homens.

Algumas mulheres se colocaram atrás das câmeras e começaram a gravar filmes pornôs chamados feministas. Elas dizem mostrar a visão das mulheres sobre o sexo, sobre o que elas querem na cama. Qual é a sua opinião sobre esse tipo de produção?
Dei uma olhada em alguns vídeos e não vi nada criativo ou diferente da pornografia convencional. Eu concordo que não há violência, mas ainda há mulheres servindo como objeto para os homens, o corpo feminino ainda é um objeto sexual. O jeito como elas constroem as imagens e contam a história é muito similar. Isso não subverte a maneira como se vê o corpo feminino na pornografia.

Não há nenhum tipo de pornografia que seja saudável?
Se há, eu ainda não vi. Pornografia por definição são imagens baseadas na desigualdade, na humilhação, na desumanização. Eu não consigo aceitar que qualquer imagem desse tipo seja boa paras as pessoas.

Como controlar esses efeitos negativos da exposição à pornografia?
Eu acho que a legislação deveria definir pornografia como uma violação dos direitos civis das mulheres. Assim, elas poderiam processar os autores desses produtos por qualquer tipo de dano que físico que elas sofram. É claro que é difícil provar que esses danos foram estimulados pela pornografia. Mas, muitas vezes, é difícil provar violações de direitos previstos pela lei. Mas isso não os invalida.

Vocês concordam com Gail? Nenhum tipo de pornografia pode ser saudável – tanto para os homens quanto para as mulheres?