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domingo, 5 de dezembro de 2010

CASO BANCO PANAMERICANO - OS " MUY AMIGOS" DO SILVIO SANTOS




Banco Central aponta suspeitos no Panamericano

O relatório do Banco Central (BC) sobre o caso do banco Panamericano aponta 14 executivos como "supostos responsáveis" pelo rombo de R$ 2,5 bilhões descoberto recentemente no banco do apresentador de TV Silvio Santos. Além dos oito ex-diretores, cuja citação já era esperada, o Banco Central incluiu na relação os então membros do conselho de administração.

Entre eles, Luiz Sebastião Sandoval, ex-presidente do Grupo Silvio Santos, e Guilherme Stoliar, sobrinho do apresentador e atual presidente do grupo. Na época em que as fraudes foram cometidas, o primeiro era presidente do conselho do Panamericano. Stoliar era um dos membros.

O relatório sucinto de ocorrência, do processo 1001496607, deve chegar esta semana à Polícia Federal. O Banco Central não atribui crime aos executivos, mas sugere eventual enquadramento na lei do colarinho branco, que trata de crimes contra o sistema financeiro, nos artigos 4, 6 e 10.

Nesses casos, a legislação prevê multa e pena de reclusão de até 12 anos para administradores de instituições financeiras condenados por gestão fraudulenta, por induzir a erro sócios, investidores ou autoridades públicas e por falsificar demonstrações financeiras.

De acordo com o relatório do Banco Central, o banco Panamericano adotou, "de forma sistemática e contínua, procedimentos de contabilização irregular", que provocaram a necessidade de uma injeção de mais de R$ 2 bilhões no patrimônio da instituição financeira. O documento não menciona o rombo calculado em R$ 400 milhões nas operações com cartões de crédito, porque essa área não está sob sua responsabilidade. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

ROUBAR UM BANCO





É preciso que haja diferença entre vender um banco, comprar um banco e roubar um banco

Leitor, caso você se veja tentado a comprar um banco, cuidado! Por quê? Você certamente confiará que o Banco Central, que acompanha mensalmente os balancetes das instituições financeiras, sabe se a empresa está podre ou não. Precavido, você também vai consultar o parecer da auditoria independente que acompanha permanentemente o desempenho do dito-cujo. Mesmo assim, como não é do tipo que joga dinheiro fora, vai contratar uma outra empresa para avaliar se está tudo nos conformes.

Mas tudo isso pode ser absolutamente irrelevante. Vejam o caso do Banco Panamericano:
- O Banco Central avisa: “Não tenho nada com isso”;
- a Delloite, que fazia auditoria interna, avisa: “Não tenho nada com isso”;
- a KPMG, que fez a auditoria a pedido do Banco Fator, que intermediou a operação em nome da Caixa, avisa: “Não tenho nada com isso”;
- o Banco Fator avisa: “Não tenho nada com isso”;
- a CEF, que comprou as ações do Panamericano, avisa: “Não tenho nada com isso”.

Percebeu, leitor? Com tantos “expertos”, espertos e espertalhões cuidando de tudo, nos mínimos detalhes, nada impede que você torre seus bilhões comprando um banco quebrado. Se bem que… Vamos pensar.

Aquisição e fusão de bancos não são coisas tão raras, não é mesmo? Fizeram-se aos montes depois do processo saneador levado adiante pelo governo Fernando Henrique Cardoso. E não se sabe de nenhum banco privado, nacional ou estrangeiro, que tenha levado uma tungada do tamanho que levou a CEF: mais de R$ 700 milhões. O dinheiro investido no Panamericano virou pó.
A se dar crédito às versões, executivos de um banquinho mixuruca conseguiram levar no bico gente altamente especializada em detectar fraudes.
E olhem que, até onde se sabe, não era nada muito sofisticado, não, hein? O Panamericano vendia carteiras de crédito a outros bancos, pegava a grana antecipada, mas fazia de conta que os pagamentos feitos pelos devedores ainda eram seus.

Visto tudo de perto, encontram-se sempre aquelas incríveis coincidências que aproximam o mundo da política do mundo dos negócios. Informa Lauro Jardim no Radar Online: “Rafael Palladino, ex-presidente do Banco Panamericano, sempre chamou atenção do mercado pela relação muito próxima com Marcio Percival Alves Pinto, vice-presidente de Finanças da Caixa Econômica Federal (indicado por Aloizio Mercadante para o cargo) e Walter Appel (dono do banco Fator, um dos que auditaram o Panamericano para a CEF)”. Dá para entender.

É preciso que haja diferença entre vender um banco, comprar um banco e roubar um banco.
Por Reinaldo Azevedo

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

ESTRANHO, MUITO ESTRANHO!!! BANCO PANAMERICANO


Manchetes dos jornais: Fraude já existia quando Caixa se associou ao Panamericano

O GLOBO

Fraude já existia quando CEF se associou ao Panamericano
O empresário Silvio Santos participou diretamente de toda a negociação que resultou no socorro de R$ 2,5 bilhões dado pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ao banco PanAmericano. Como se propunha a usar seu patrimônio para evitar a quebra do PanAmericano, o Banco Central (BC) propôs que ele negociasse um empréstimo com o FGC. O contrato teria uma cláusula que prevê a obrigatoriedade de o controlador vender todas as suas empresas, menos o SBT, no período de dez anos.
Segundo fontes ouvidas pelo GLOBO, esse termo foi adicionado porque há ceticismo sobre a capacidade de o grupo Silvio Santos obter receita suficiente para bancar o empréstimo.
A venda seria negociada pelo próprio FGC, e o PanAmericano seria o primeiro a ir. Segundo fontes próximas ao assunto, não será difícil encontrar compradores, já que o banco foi saneado. E o fato de ter a Caixa Econômica Federal (CEF) como sócia do PanAmericano é um chamariz.
O presidente do Conselho de Administração do FGC, Gabriel Jorge Ferreira, também deu a entender que a venda dos ativos teria sido condição para liberar o empréstimo: — Há o compromisso de esforço contínuo de venda das empresas, naturalmente daquelas que são mais rentáveis, caso do banco, que continuará tendo a Caixa como sócio relevante da instituição.
O primeiro contato de Silvio Santos com os dirigentes do FGC foi em 11 de outubro. No dia 13 eles já se reuniam para costurar uma solução.
Segundo Ferreira, pela primeira vez um empresário “propôs voluntariamente entregar seu patrimônio como garantia”. As empresas são: PanAmericano, Jequiti (de cosméticos), Liderança Capitalização, Baú Financeira e SBT. Mas este não faz parte da cláusula de venda por razões legais. Além de ser uma concessão pública (radiodifusão), a maior parte das suas ações pertence à pessoa física Silvio Santos, não ao grupo empresarial. A venda da TV só ocorreria no pior cenário possível, o que é descartado neste momento. A holding SS Participações, que controla as 44 empresas do grupo, emitiu debêntures no valor de R$ 2,5 bilhões, adquiridas pelo FGC. Isso é menos de 10% do patrimônio atual do FGC, de R$ 28 bilhões.

Banco demorou um mês para demitir executivos
Embora as fraudes tenham sido descobertas há um mês, só na última terça-feira o Panamericano afastou os oito executivos que dirigiam o banco. Todos foram demitidos, inclusive o diretor-superintendente, Rafael Palladino; o diretor de Relações com Investidores, Wilson De Aro; e o diretor de Crédito e Administrativo, Adalberto Savioli.

Negócios e Cia
O BC demorou quatro meses para aprovar o negócio entre Caixa e Panamericano. A decisão saiu no DO: ontem.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

BANCO PANAMERICANO: FRAUDE - QUEBRANDO? QUEBROU? SOB INTERVENÇÃO?









Banco Panamericano, do Grupo Silvio Santos, recebe R$ 2,5 bi para cobrir fraude
Empréstimo para salvar banco foi obtido no Fundo Garantidor de Crédito e tem como respaldo o patrimônio do empresário e apresentador de TV
09 de novembro de 2010 | 20h 19




David Friedlander e Leandro Modé, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - A descoberta de uma fraude contábil bilionária levou o Grupo Silvio Santos a fazer um aporte de R$ 2,5 bilhões no Banco Panamericano, que tem como sócia minoritária a Caixa Econômica Federal. O dinheiro foi obtido por meio de um empréstimo ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), criado em 1995 com objetivo de proteger os depósitos dos clientes do sistema financeiro no País.

VEJA TAMBÉM

* Grupo Silvio Santos aportará R$ 2,5 bilhões no Banco Panamericano
* SONIA RACY: Com a palavra, a Caixa
* Solução foi negociada com Caixa e BC
* Setor financeiro era maior aposta do Grupo Silvio Santos

Segundo o Estado apurou, o rombo é resultado de ativos e créditos fictícios registrados por diretores do Panamericano supostamente para inflar os resultados da instituição e, suspeita-se, melhorar os bônus dos executivos. Até agora, não foram encontrados indícios de desvio, mas o Banco Central (BC) vai encaminhar representações à Polícia Federal e ao Ministério Público para investigar as suspeitas.

Segundo apurou a reportagem, o rombo foi descoberto há cerca de um mês pelo Banco Central. Tinha passado despercebido pelos controles internos do Panamericano, seus auditores independentes e pelo pente-fino feito pela Caixa quando comprou uma participação de 49% do capital votante do banco, no fim de 2009. O patrimônio do empresário Silvio Santos foi colocado como garantia para o empréstimo concedido pelo FGC.

O Panamericano abre as portas nesta quarta-feira com nova diretoria, nomeada em conjunto pelo Grupo Silvio Santos e pela Caixa. Os antigos executivos foram demitidos ontem. O diretor superintendente passa a ser Celso Antunes da Costa, ex-diretor de Integração do Banco Nossa Caixa.

O Conselho de Administração será escolhido na próxima semana, também por meio de acordo entre os acionistas.

Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o próprio Panamericano afirma que "inconsistências contábeis não permitem que as demonstrações financeiras reflitam a real situação patrimonial da entidade".

Durante esta terça-feira, circularam rumores no mercado, dando conta de que o Banco Central interviria em alguma instituição financeira após o encerramento dos negócios, como antecipou a colunista do Estado Sonia Racy.

Nas mesas de operação, o principal "candidato" era o Panamericano. Por isso, os papéis preferenciais (PN) do banco desabaram. Caíram 6,75% e, no ano, já acumulam perdas de 35%. No chamado pós-mercado, as ações recuaram ainda mais: 8,54%.

Segundo o fato relevante, o dinheiro "destina-se a restabelecer o pleno equilíbrio patrimonial e ampliar a liquidez operacional da instituição, de modo a preservar o atual nível de capitalização".

Inédito. O crédito para o Panamericano equivale a cerca de 10% do patrimônio do FGC, que somava R$ 25,8 bilhões no fim de setembro. É uma saída inédita no País. Um especialista explicou que o banco provavelmente não encontrou no mercado um interessado (nem mesmo a Caixa) justamente por causa do rombo recém-descoberto.

Os R$ 2,5 bilhões que estão sendo aportados superam o atual patrimônio líquido da instituição, de R$ 1,6 bilhão. O Panamericano é o 21.º do ranking nacional, com ativos de R$ 11,9 bilhões ao fim de junho. Em dezembro de 2009, a Caixa comprou 35% do capital total do banco. Pagou R$ 740 milhões.

Um analista explicou que, caso o aporte não fosse feito, o Panamericano ficaria fora das regras do BC e teria de sofrer uma intervenção. Apesar do aporte, o BC, segundo apurou o jornal, não descarta intervir no banco.

Texto atualizado às 22h50


Banco Panamericano Fraude