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domingo, 28 de novembro de 2010

NARIZ INVISÍVEL, O SUJEITO OCULTO!


Internet


No enredo do Rio, o protagonista é um sujeito oculto


Sempre que contrariado, o crime mostra a cara. A bandidagem migra dos subterrâneos para os refletores. Em São Paulo, o PCC. No Rio, o Comando Vermelho.

Atacam instalações policiais, promovem arrastões, incendeiam veículos, atiram a esmo, afrontam as forças do Estado.

Há uma semana, um desses surtos de visibilidade voluntária dos criminosos convulsiona a (a)normalidade carioca.

A novela se repete. Os criminosos deixam o núcleo de figurantes do mal, roubam a cena e viram estrelas no ‘Jornal Nacional’.

Conforme já realçado aqui em capítulos anteriores, sob o enredo de violência pulsa um personagem invisível, bem-nascido e narigudo.

O mercado da droga, base da criminalidade, se pauta pela lei da oferta e da procura, não pelas normas do Código Penal.

Nesse mercado, o principal produto levado pelos criminosos à gôndola é a cocaína. Coisa cara, acessível apenas aos melhores bolsos.

Pois bem. Se se vende cocaína no Brasil, é porque há quem a aspire. Se se vende muita cocaína, é porque há quem a sorva em grandes quantidades.

Neste sábado (27), começou a circular no Rio um adesivo mimoso: “I Love Rio” (o amor é representado por um coraçãozinho).

Os portadores da mensagem aplaudem a presença dos tanques das Forças Armadas na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão.

Falam das quadrilhas de Elias Maluco e de Marcinho VP com ira inaudita. simultanemanete, erguem barricadas de silêncio em torno do sujeito oculto.

A elite carioca se une contra o tráfico do morro. Mas consome a cocaína que financia o armamento pesado da criminalidade.

O nariz invisível não está na favela. Ele empina suas narinas em ambientes mais sofisticados: coxias de shows, camarins de desfiles, redações de jornal...

Entre uma cafungada e outra, Armanis e Versaces, reunidos nas coberturas chiques da Zona Sul, se dizem chocados com a onda de violência.

A guerra ao narcotráfico rende imagens plásticas e boas manchetes. Mas será infrutífera enquanto os holofotes não iluminarem o sujeito oculto.

Visto como culpado inocente –ou inocente culpado—, o nariz que cheira nas grandes metrópoles é, em verdade, cúmplice da mão que segura a metralladora no morro.

Vencida a barreira da hipocrisia, pode-se encarar o problema a sério. A repressão é a parte mais óbvia da solução.

Um descalabro de décadas não se resolve do dia pra noite. Além de acionar os tanques, será preciso limpar a polícia e humanizar os presídios.

De resto, deve-se prover trabalho à mão de obra que serve ao tráfico e potencializar a estratégia que injeta Estado em comunidades dominadas pelo crime.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

MONEY WITH COCAINE


Quase 90% das notas de dinheiro nos EUA possuem traços de cocaína, diz estudo
Pesquisadores também analisaram notas do Canadá, da China, do Japão e do Brasil. As cédulas brasileiras estavam 80% contaminadas
REDAÇÃO ÉPOCA

CONTAMINAÇÃO
Cédulas entram em contato com a droga através dos usuários, em transações financeiras do tráfico
e até mesmo em caixas eletrônicos
Cientistas dos Estados Unidos concluíram que existem traços de cocaína em até 90% das notas de dinheiro no país, principalmente nas que circulam em grandes centros urbanos, como Boston e Detroit. Em Washington, D.C., a capital dos EUA, a porcentagem sobe para 95%. Segundo os pesquisadores, essa é a maior e mais completa análise já feita sobre contaminação de cocaína em dinheiro. O grupo de pesquisadores também testou notas do Canadá, da China, do Japão e do Brasil. O Canadá, assim como os EUA, registrou taxas de contaminação entre 85 e 90%, enquanto a China e o Japão ficaram apenas entre 12 e 20%. Das 10 cédulas brasileiras analisadas, oito continham traços de cocaína.

O estudo foi apresentado no domingo (16), no encontro nacional da Sociedade Americana de Química, e sugere que o consumo de cocaína ainda é alto e pode estar crescendo em alguns lugares. Para os pesquisadores, esses dados devem servir para aumentar a preocupação da sociedade em conter esse consumo "Para minha surpresa, estamos encontrando cada vez mais cocaína em notas", disse Yuegang Zuo, líder da pesquisa, professor na Universidade de Massachusetts. Segundo Zuo, os resultados dessa pesquisa representam um aumento de quase 20% nos dados encontrados em uma pesquisa similar, conduzida pelo próprio Zuo há dois anos, que indicava que 67% das cédulas americanas estariam contaminadas por cocaína.

Há anos cientistas sabem que notas podem ficar contaminadas por cocaína durante a comercialização da droga, ou por usuários que cheiram o pó usando notas enroladas. Notas que não tiveram contato com a droga também podem ser contaminadas ao serem misturadas com dinheiro contaminado em caixas eletrônicos. Zuo afirma, entretanto, que a quantidade de cocaína encontrada na maior parte das notas é tão pequena que não pode causar problemas de saúde nem problemas legais a quem carregar as notas. As taxas mais altas registradas foram no Canadá, onde algumas notas tinham mais de 2 miligramas de cocaína. Nos EUA, algumas notas possuíam menos de 0,01 microgramas da droga (um micrograma é 1 milhão de vezes menor que um grama). Foram analisadas 234 notas dos EUA, 112 da China, 27 do Canadá, 16 do Japão e 10 do Brasil.