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sábado, 22 de maio de 2010

A PROCURADORA BRUXA OU A BRUXA PROCURADORA? LEIAM!!!




veja.abril.com.br



Brasil
As razões do mal
A procuradora Vera Lúcia, acusada de torturar a menina que pretendia
adotar, tenta justificar sua crueldade culpando a criança. Uma testemunha
afirma que ela também batia na mãe. Como uma bruxa má, não
demonstra nenhum arrependimento e sua lógica é a da desrazão



Ronaldo Soares e Roberta de Abreu Lima
Alessandro Buzas/Futura Press


A PROCURADORA VERA LÚCIA
admitiu ter chamado T.E. de "cachorra": "Ela estava se recusando a comer e ainda por cima sujava a roupa toda de leite. Perdi a paciência"



Os contos de fadas, cujos heróis enfrentam bruxas malvadas e lobos maus, inevitavelmente acabam bem. São uma forma de as crianças encararem e exorcizarem seus medos e angústias, dizem os psicanalistas. Mas, só no Brasil, há milhares de meninos e meninas que descobrem, desde muito cedo, que bruxas malvadas e lobos maus podem existir de verdade - e, pior, habitar a casa onde eles moram. A procuradora aposentada Vera Lúcia de Sant’Anna Gomes, de 66 anos, é uma dessas bruxas malvadas de carne e osso. Presa de número 323 010 do Complexo Penitenciário de Bangu, no Rio de Janeiro, ela se entregou à polícia depois de passar oito dias foragida, acusada de torturar com frieza e fúria uma menina de 2 anos que estava sob sua guarda. Na semana passada, Vera Lúcia falou a VEJA. Estava vestida com o uniforme das presidiárias - blusa branca de malha, calça azul e chinelos de dedo -, tinha o cabelo pintado de loiro em desalinho e as unhas cor de vinho. Com os olhos fixos e a voz exaltada, ela negou a série de maus-tratos de que é acusada de infligir a T.E., a menina que estava prestes a adotar - mas assumiu sem nenhum fio de remorso a humilhação a que submeteu a criança. "Chamei a garota de cachorra mesmo", afirmou. E acrescentou: "Mas chamar alguém de cachorro não é ofensa. Os cães são mais amigos e leais do que muito ser humano por aí". Durante os 29 dias em que a pequena T.E. ficou sob os seus cuidados provisórios (os papéis para formalizar a adoção estavam correndo na Justiça), a procuradora a manteve trancafiada em um quarto. T.E., afirmam testemunhas, era alvo de xingamentos constantes e recebeu tantas surras que mal conseguia abrir os olhos, de tão inchados. Foi nesse estado que representantes do conselho tutelar a encontraram quando foram à casa de Vera Lúcia, movidos por uma denúncia anônima. T.E. passou três dias no hospital para tratar dos ferimentos. Hoje, de volta ao abrigo de menores onde vivia, ela pouco come e quase não fala. Quando um estranho chega perto, assusta-se e foge.
Marcelo Piu/Ag. O Globo

BRUTALIZADA
Quase sem conseguir fechar os olhos inchados pelas agressões, a menina T.E. é transportada para o abrigo onde estava antes de ser levada por Vera


O que faz alguém ser capaz de cometer tamanha brutalidade? E, sobretudo, o que faz alguém capaz de tal brutalidade querer adotar uma criança? A monstruosidade da procuradora é identificada por especialistas como típica dos psicopatas. Eles são capazes de entender intelectualmente a diferença entre o bem e o mal, mas não demonstram ter aquelas emoções que estão na base do senso moral das pessoas - como ilustra o caso de Vera Lúcia. "Ela não se compadece da dor alheia, não dá sinais de arrependimento e parecia ter prazer em subjugar a menina", afirma o psiquiatra Joel Birman. Vários episódios na biografia da procuradora revelam essa agressividade. Uma amiga da família de Vera Lúcia contou que, certa vez, recebeu a visita da mãe da procuradora, Maria de Lourdes, que viveu com a filha até morrer, em 2004. Segundo essa amiga, Maria de Lourdes confidenciou-lhe que, quando se enfurecia, Vera Lúcia lhe dava "uns tapas". "Fiquei em choque", disse a mulher a VEJA. Em delegacias do Rio, há registro de quinze boletins de ocorrência envolvendo a procuradora. Um dos casos ocorreu em 2008, ano em que ela estava às voltas com outro processo de adoção. Durante uma das visitas ao bebê, soube que a mãe havia desistido de entregá-lo (quatro anos antes, sua primeira tentativa de adoção tivera o mesmo desfecho). Raivosa, arrancou do recém-nascido as roupas que havia comprado. Não satisfeita, fez denúncia caluniosa contra a mulher, a quem acusava de querer vender a criança. A delegada que colheu seu depoimento, Maria Aparecida Mallet, lembra: "Ela agia de forma prepotente e tentava me intimidar: ‘Sabe que eu sou procuradora do estado?’".

Proveniente de uma família do subúrbio carioca, filha de um médico e de uma dona de casa, Vera Lúcia nunca manteve laços estreitos com os parentes, tampouco com seus ex-colegas no Ministério Público Estadual, onde trabalhou durante quinze anos. "Era muito competitiva, dada a picuinhas, e se achava a dona da verdade. Ninguém queria ficar perto dela", resume um ex-chefe. Depois que se aposentou, doze anos atrás, a procuradora passou a preencher o tempo com os animais de estimação (tem um poodle e dois gatos siameses), viagens de cruzeiro para o Nordeste e o tarô, que costumava jogar na internet para colegas de comunidades virtuais chamadas, nem tão ironicamente no seu caso, Caldeirão, Vassoura e Intuição e Magia Prática. Na denúncia contra ela encaminhada à Justiça consta a suspeita de que faria parte de uma seita satânica. Uma testemunha conta que viu, em seu apartamento de 200 metros quadrados, no bairro de Ipanema, Zona Sul da cidade, vodus e bonecos com rosto desfigurado, ladeados por imagens de Buda e uma coleção de 150 baralhos de tarô. Era ali que a procuradora costumava ficar reclusa. Diz o seu sobrinho Carlos Ariosto: "Ela é tão fechada que não chegou nem a apresentar à família a menina que iria adotar".

DE VOLTA

T.E., em foto recente, no abrigo de menores: ainda assustada, ela foge de desconhecidos


Casada duas vezes (uma delas com seu atual advogado, Jair Leite Pereira), Vera Lúcia optou por não ter filhos. Mas de seis anos para cá andava obcecada pela ideia de adotar uma criança. Chegou a escrever, no Orkut, a uma comunidade que reúne pretendentes à adoção: "Quero finalmente formar a família que nunca tive". Seu objetivo declarado era ter a quem deixar sua pensão como procuradora, hoje de 23 000 reais, e os bens, entre os quais uma casa debruçada sobre a valorizada Praia de Geribá, em Búzios. Esse tipo de argumento normalmente desqualifica o candidato à adoção por não traduzir um desejo genuíno de maternidade. Mas não é o único dado absurdo no processo que levou a procuradora a obter a guarda de T.E. A autorização do estado para que alguém com evidentes problemas psicológicos acolhesse uma criança em casa expõe as fragilidades da lei de adoção no Brasil - tanto a antiga, que vigorava quando Vera Lúcia conseguiu a autorização para adotar, quanto a atual (veja a reportagem).
Selmy Yassuda


PENSÃO DE 23 000 REAIS
Vera Lúcia diz que queria adotar para ter com quem deixar sua pensão e seus bens. Na foto, sua casa de praia em Búzios, com o muro pichado


Desde o dia em que chegou à casa da procuradora, no último 17 de março, T.E., a quem Vera Lúcia chamava de Bia, foi alvo de sua ira - segundo relatam as empregadas. "A patroa tapava o nariz da menina e enfiava a comida com a mão dentro de sua boca. Puxava o cabelo dela e a fazia bater a cabeça numa mesa de mármore com toda a força", conta Luzia de Almeida. Aos berros, Vera Lúcia ainda xingava: "Prefiro mil vezes meus bichos a você, sua sem-vergonha. Você é safada igual à sua mãe". A mãe de T.E., que vive de bicos no Rio, teve a menina com um italiano que nunca a registrou como filha. Abandonou-a por duas vezes, mas hoje, sem se identificar, afirma: "Quero reaver a guarda da minha filha". O quadro da menina preocupa os especialistas que a acompanham. Foram tantas as pancadas na cabeça que não se sabe se haverá sequelas neurológicas. Por decisão da Justiça, Vera Lúcia terá de custear o tratamento psicológico de T.E. e lhe pagar uma pensão mensal equivalente a 10% de seus rendimentos enquanto viver. Apesar da bruxa processada, não é um final de conto de fadas.

Com reportagem de João Figueiredo, Marcelo Bortoloti e Silvia Rogar

"Não faria sentido torturar uma menina que cuidaria de mim na velhice, certo?"

Presa há duas semanas depois de oito dias foragida, a procuradora aposentada Vera Lúcia de Sant’Anna Gomes ocupa cela individual no Complexo Penitenciário de Bangu, Zona Oeste do Rio. Ela passa os dias num espaço reservado a mais oito presidiárias, algumas acusadas de tráfico de drogas. Com as mãos trêmulas e elevando a voz em alguns momentos, ela deu a seguinte entrevista ao repórter Ronaldo Soares:
Ernesto Carriço/Ag. O Dia/AE


A senhora é acusada de torturar durante 29 dias a menina de 2 anos que pretendia adotar. Isso é verdade?
De tudo aquilo de que estão me acusando, admito uma coisa: chamei a menina de cachorra mesmo. No dia em que isso aconteceu, tínhamos uma consulta médica. Ela estava se recusando a comer e ainda por cima sujava a roupa toda de leite. Aquilo foi me irritando profundamente e perdi a paciência. Mas discordo da maioria das pessoas que agora me condenam: para mim, chamar alguém de cachorro não é ofensa.

Se ocorresse com a senhora, como reagiria?
Dependeria da forma como a pessoa falasse. Pessoalmente, adoro cachorros. Diria até que são animais mais amigos e leais do que muito ser humano por aí. Tenho um cão poodle e dois gatos siameses, que crio como gente. Só que para bicho ninguém deixa herança.

O que a senhora quer dizer com isso?
Ganho muito bem como procuradora aposentada. Com tanta criança necessitada no mundo, pensei: ‘Quando morrer, por que deixar minha pensão para o estado?’. Foi por isso que decidi adotar essa menininha.

Se a senhora diz que não a machucou, qual é a explicação para o estado em que ela se encontrava quando foi retirada de seu apartamento?
O ferimento na testa eu sei o que foi: dei à menina umas uvas sem caroço, que ela espalhou pela casa toda e acabou se esborrachando. Meu apartamento tem chão de mármore e muito tapete persa - é fácil de escorregar. Mas o tombo provocou só um machucadinho de nada. Já estava sarando.

E os hematomas espalhados por todo o corpo dela?
A única coisa que eu sei é que fui à manicure, à tarde, e a deixei bem, em casa. Quando voltei, foi aquela surpresa: o conselheiro tutelar já a havia levado embora. Soube depois que ela estava toda arrebentada. Também gostaria de saber quem fez isso com aquela criança.

A senhora tem algum palpite?
Talvez tenha sido uma conspiração para tirá-la da minha casa. Veja esse conselheiro que foi ao meu apartamento para levar a menina embora... O rapaz é protestante e eu não. Prefiro jogar tarô. No conselho tutelar, teve gente espalhando que eu frequento seitas satânicas, uma mentira. Será que querem me prejudicar? Se for, é bom que saibam: a cadeia dói. Meu lugar não é aqui.

Como é sua rotina na prisão?
Durmo à base de Prozac, já emagreci 8 quilos e, quando ando de um canto para o outro, vou sempre com um guarda por perto. Sabe como é: as presas veem TV e, como qualquer ser humano, também pensam, julgam, raciocinam. E crime que envolve criança tem uma repercussão muito grande. É como estupro. Se saísse hoje para caminhar em Ipanema, sei que não chegaria em casa viva.

A senhora ainda pensa em adotar uma criança?
Acho que não mais. Meu sonho era ter adotado três, para formar a família que nunca tive. Adoro crianças. Não faria sentido nenhum torturar uma menina que cuidaria de mim na velhice, certo? Só se eu fosse louca.


Mamãe odiosa
Latinstock




SÓ FACHADA
A diva Joan, com Christina: crueldade e adoções para "fins publicitários"


Em 1978, um ano e meio após a morte de Joan Crawford, a mais velha das quatro crianças que a estrela adotara publicou Mamãezinha Querida, um livro autobiográfico que virou best-seller e estarreceu o público: segundo o relato de Christina Crawford, então com 39 anos, a ex-diva de Hollywood infligira a ela e a seu irmão Christopher tormentos que abrangiam acessos de fúria, períodos de cativeiro e espancamentos - em uma passagem que se tornou antológica no livro e no filme homônimo adaptado deste, Joan encontrou no armário da filha um cabide de arame e, como só os de madeira eram permitidos na casa, ela açoitou a menina impiedosamente com o item proibido. Segundo Christina, sua mãe era alcoólatra e não tinha nenhum afeto pelos filhos, que teria adotado apenas para fins publicitários. As duas filhas mais novas de Joan negaram tais acusações, alegando que o livro era uma vingança de Christina por ter sido cortada do testamento da estrela - aliás, riquíssima. Vários amigos de Joan, entretanto, confirmaram os episódios de maus-tratos. Também as autoridades deram crédito a Christina, que testemunhou em audiências federais e estaduais destinadas a estabelecer parâmetros para a proteção de menores e colaborou na reformulação das varas de família do condado de Los Angeles. A história de Christina, levada para a casa de Joan em 1940, com 1 ano, é emblemática também em outro aspecto do pesadelo em que se pode transformar a vida de um filho adotado: ela foi uma entre milhares de crianças vítimas de adoções ilegais perpetradas pela Tennessee Children’s Home Society, instituição que mantinha um vasto esquema para rapto e roubo de crianças, com a participação de médicos, enfermeiras e juízes.



Isabela Boscov

VEJA AS FOTOS DO ÁLBUM DE FAMÍLIA DA PROCURADORA


Confira fotos do álbum pessoal da Procuradora


veja.abril.com.br/galeria-de-imagens/confira-fotos-album-pessoal-procuradora-562345.shtml

PROCURADORA SE DIZ VÍTIMA DE ARMAÇÃO


Procuradora aposentada acusada de tortura se diz vítima de armação
Vera Lúcia disse que criança pode ter sido agredida por um estranho.
Ela está presa em Bangu, e negou ter agredido menina de 2 anos.

Do Jornal da Globo


A procuradora aposentada Vera Lúcia Gomes, presa acusada de agredir uma menina de 2 anos que pretendia adotar, apontou culpados diferentes pelas agressões. Mesmo diante de fotografias e gravações documentando maus tratos, Vera Lúcia admite apenas ter xingado a criança, e se diz vítima de uma armação.

Visite o site do Jornal da Globo

Em dois momentos da entrevista, a procuradora apontou culpados diferentes para a agressão. Primeiro, respondeu afirmativamente que acredita que possa ter sido vítima dos empregados. “Eu acho isso uma grande armação. Não acho que foi só comigo não, eu acho que a maior armação foi com a criança, porque elas não se conformavam. A menina era parda, tinha um cabelinho crespinho, e eu passava aquela prancha para pentear”.

Minutos depois, no entanto, ela apresentou outra hipótese: a de que uma pessoa estranha à casa tenha agredido a menina: “Empregado abre porta. Fiquei sabendo que teve gente dentro da minha casa que eu não autorizo. Que subiu gente na minha casa nesse dia e eu não estava lá”, disse a procuradora.

A entrevista foi na sala da diretoria do presídio, em Bangu, no subúrbio do Rio de Janeiro, onde ela está presa. Vera Lúcia Gomes vestia o uniforme que toda presa é obrigada a usar na cadeia: camiseta branca, calça azul e chinelos.

Nas três horas de entrevista, ela não se recusou a responder nenhuma pergunta, e negou ter agredido a menina de 2 anos que pretendia adotar: “De maneira nenhuma. Isto é a maior calúnia, maior infâmia, a maior loucura”, afirmou Vera, que disse, ainda, não reconhecer o laudo do Instituto Médico Legal que apontou que as lesões na criança foram graves.

A procuradora negou que tenha partido dela algumas expressões que constam na denúncia como, segundo testemunhas, “você não vale nada”; “sua vaquinha”; “cachorra”, mas admitiu ter usado palavras rudes com a menina: “Uma vez houve sim. Eu tive um aborrecimento com ela, ela sujou dez roupas e jogava o leite. Eu disse ‘vamos à psicóloga, tem que ir’ e ela jogava e eu realmente perdi a paciência”.

Procuradora admite ter visto uma lesão
De todas as lesões que a menina apresentava, a procuradora Vera Lúcia admite ter visto apenas uma: “Eu peguei uma canequinha que ela tinha e botei essas uvinhas mocatel, sem caroço, e ela pega isso e derrama pela casa inteira. Aí ela levou um tombo e a empregada também”, contou Vera, que disse não ter presenciado o momento exato da queda.

Vera Lúcia também contou os motivos que a levaram a procurar uma criança para adoção: “Meu Deus, eu vou me aposentar e para quem que vai ficar esse dinheiro que eu vou me aposentar, para quem vai ficar? Vai ficar para o Estado. Não está direito isso. Eu acho que tem tantas crianças necessitando”, disse.

Há oito dias, a procuradora divide uma cela com outras nove presas: “As meninas da cela me acham super simpática. Acham que eu tenho um astral altíssimo, quer dizer, eu sou uma pessoa que sempre penso positivo. Eu nunca penso, não sou de negativismo, certo?”, completou.

A defesa de Vera Lúcia ainda tenta conseguir um habeas corpus para que ela responda ao processo em liberdade. A promotora do caso espera que o julgamento aconteça em julho deste ano.

“Eu, mais do que ninguém, mais do que a mídia, mais do que a imprensa e como membro do Ministério Público, eu quero descobrir quem foi o infeliz ou a infeliz que fez isso, e quero que o culpado vá para a cadeia”, concluiu.


quarta-feira, 5 de maio de 2010

PROCURADORA RECALCADA AGRIDE CRIANÇA DE 2 ANOS NO RJ - SEITA SATÂNICA

POLÍCIA


Denúncia do Ministério Público contra procuradora
aposentada menciona seita satânica

Depoimento de voluntária do Conselho Tutelar diz que mulher pretendia sacrificar criança
Do R7, no Rio


Wilton Júnior/Agência EstadoFoto por Wilton Júnior/Agência Estado
Denúncia do Ministério Público tem relato sobre suposto envolvimento da procuradora aposentada com ritual de magia negra

A procuradora aposentada Vera Lucia de Sant’anna está sendo investigada por envolvimento com magia negra. Na denúncia feita pelo Ministério Público do Rio de Janeiro contra a mulher, suspeita de agredir uma menina de dois anos (que pretendia adotar), consta, entre outras afirmações, que Vera Lucia pode fazer parte de uma seita satânica que teria por objetivo sacrificar a menina.

A suspeita parte do depoimento não identificado de uma voluntária do Conselho Tutelar que acompanhou alguns dos relatos de ex-empregados da promotora aposentada. O Ministério Público classifica o relato da voluntária como “assustador” e transcreve o seguinte trecho:

"(...) o que desejo expor aqui é a minha visão, observação do ocorrido e pude ter a convicção da Sra. Vera Lucia pertencer a religião satânica, onde creio ser este o motivo da adoção: o sacrifício da criança. Sei que isso parece um absurdo, mas (…) a Sra. Vera Lucia possuía muitos vudus e bonecos com rostos desfigurados. A presença de duas pessoas na casa era constante, entre elas a de cabeça raspada me alertou por ser mulher e este ato é praticado aos que fazem parte deste ritual (...) Na mesa haviam cartas e um punhal, que neste ritual significa: sacrifício, morte. Creio que T. foi escolhida para ser oferecida em sacrifício a esta seita. A intenção da Sra. Vera era de matar a criança, rituais eram feitos na casa, como banhos de canjica, e a criança não podia ter contato com a água’."

Outra acusação, feita com base em depoimentos de ex-empregadas de Vera Lúcia, é de que ela mantinha a criança trancada em um quarto durante todo o dia, proibindo qualquer pessoa de manter contato físico ou verbal com a menina.

Pelos supostos maus-tratos, Vera Lúcia foi denunciada por tortura na terça-feira (4) e teve a prisão preventiva pedida à Justiça.

Na semana passada, em depoimento à Polícia Civil, a procuradora aposentada negou as acusações, disse que amava a criança e que só a chamou de "cachorrinha", porque gostava desses animais. Nesta manhã, a reportagem do R7 tentou por várias vezes falar com o advogado da procuradora aposenta, mas até a publicação desta notícia não obteve retorno.

A denúncia descreve ainda que a criança está muito abalada. Nesta terça, a menina chorou muito e se recusou a conversar com um psicólogo da DCAV (Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima), que pretendia coletar o depoimento dela sobre o caso.

terça-feira, 27 de abril de 2010

PROCURADORA RECALCADA AGRIDE CRIANÇA DE 2 ANOS NO RJ


Caso de menina agredida pode ser crime de tortura, diz delegada
Segundo Monique Vidal, laudo é essencial para o inquérito.
Porteiros foram intimados e um deles deve depor nesta terça-feira (27).

Alba Valéria Mendonça Do G1 RJ

A delegada Monique Vidal, da 13ª DP (Ipanema) aguarda o laudo do exame de corpo de delito da menina de 2 anos, que teria sido agredida por sua mãe adotiva, a procuradora aposentada Vera Lúcia Gomes. Segundo ela, dependendo do que constar no documento, o caso pode passar a ser investigado como crime de tortura.

“Dependendo do laudo do exame, o caso pode perfeitamente passar de maus-tratos a tortura. Mas não vi a menina, só a vi por fotos entregues pelo Conselho Tutelar, que mostram a menina machucada. Trata-se de um caso muito delicado que tem de ser investigado com cuidado. Por isso, o laudo é fundamental”, disse a delegada, informando que o exame de corpo foi pedido pela juíza da Vara da Infância e da Juventude.

No último dia 15, logo após receber a denúncia de que uma procuradora de justiça é acusada de agredir a filha adotiva de 2 anos, o Conselho Tutelar retirou a menina do apartamento onde morava com a mãe, em Ipanema, na Zona Sul. A polícia abriu um inquérito para investigar o caso e começou a ouvir as testemunhas nesta segunda (26).

Na tarde desta terça-feira (27), a delegada deve ouvir um dos dois porteiros intimados para prestar depoimento. Monique também pretende ouvir outras testemunhas do caso, como empregados e ex-empregados, ao longo da semana. Algumas pessoas que poderiam confirmar os maus-tratos sofridos pela criança moram em outros municípios.

A delegada disse que ainda não teve acesso às gravações que teriam sido feitas no interior do apartamento da procuradora e que mostra um dos momentos da agressão.

Segundo depoimento do conselheiro, a criança estava no chão do terraço onde fica o cachorro da procuradora aposentada. De lá, a menina foi levada para um hospital. Com os olhos inchados, ela precisou passar três dias internada.

Na delegacia, o Conselho Tutelar registrou uma queixa de maus-tratos e apontou a procuradora como a única responsável pela violência. Uma gravação que teria sido feita dentro do apartamento da suspeita mostra um dos momentos de agressão. A voz seria da doutora. O choro seria da menina adotada por ela há pouco mais de um mês.

Uma empregada que trabalhou para a promotora, que não quis se identificar, afirmou que a doutora agredia a menina. “A doutora Vera acordava com a garota. Dava bom dia e ela não respondia, era motivo pra bater nela. Aí batia muito. Batia no rosto, na cara e puxava o cabelo”.

Agressões
Abandonada pela mãe num abrigo, a menina de 2 anos foi levada em março para o amplo apartamento de luxo da promotora, em Ipanema, onde ela teria sofrido agressões e humilhações. Segundo a empregada, a doutora batia na criança na frente dos outros funcionários da casa.

“Ela (promotora) levantou a garota pelo cabelo e dava mais, levou até o quarto dando tapa", afirmou uma babá que também trabalhava para a promotora.

Por causa da violência que dizem ter presenciado, as funcionárias abandonaram o emprego. Agora elas são as principais testemunhas do caso. A empregada contou que a menina não pedia ajuda: “Não pedia. Só chorava. Não tinha como pedir, porque ela não podia chegar perto da gente”, completou a doméstica, que completou dizendo que não chamou a polícia por medo: “Ela sendo uma pessoa poderosa, a gente tinha medo mesmo”.

"Dane-se", diz promotora
Por telefone, a promotora desqualificou a denúncia: “Meu senhor (riso) eu... sem resposta”. Ao ser questionada sobre a denúncia, a doutora respondeu: “Meu senhor, dane-se! Azar, azar. Que tenha vinte.”

O chefe da procuradora aposentada, Cláudio Lopes, também determinou a apuração da denúncia. “Em tese, você pode ter a caracterização de delito de maus-tratos, pode ter uma simples lesão corporal, ou, dependendo das provas, pode até se caracterizar um delito de tortura”, disse.

A juíza titular da Vara da Infância e da Juventude do Rio de Janeiro, Ivone Caetano, garante que a procuradora perdeu o direito de tentar novas adoções. “Ela já mostrou o perfil dela. Por que nós vamos colocar outra criança a mercê de uma criatura dessa natureza?”.

A nova vida da garota fora do abrigo durou muito pouco. Depois de passar quase um mês na companhia da procuradora aposentada, ela foi levada de volta para a instituição pelo Conselho Tutelar.

“É feito um trabalho psicológico antes de se colocá-la para nova adoção, para que ela perca todo o trauma recebido por tal tratamento”, completou a juíza.


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