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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

LEIA ABAIXO OS POLÍTICOS QUE DELAPIDAM O COFRE DA NAÇÃO




Diógenis Santos/Ag. Câmara
Parlamentares que levantaram o braço se manifestaram contra aumento dos próprios salários


Quem apoiou a votação do aumento para os parlamentares

Veja quais foram os deputados que aprovaram o requerimento para que o reajuste salarial fosse aprovado em regime de urgência

Edson Sardinha

Ao todo, 279 deputados federais apoiaram o requerimento de urgência para a votação do projeto de decreto legislativo que aumentou os vencimentos de deputados federais, senadores, presidente e vice-presidente da República e ministros de Estado para R$ 26,7 mil. Apenas 35 se posicionaram contra a urgência para votar o projeto, que elevou em 62% a remuneração dos parlamentares. Outros três se abstiveram de votar. O novo salário entra em vigor a partir de 1º de fevereiro de 2011.

A aprovação do regime de urgência abriu caminho para que o texto fosse aprovado a toque de caixa logo em seguida. Primeiro, pelos deputados e, depois, pelos senadores.

Nas duas Casas, a votação foi simbólica, ou seja, do tipo em que o congressista não declara seu voto. Na simbólica, quem preside a sessão anuncia: “Aqueles que aprovam, permaneçam como estão”. Para, em seguida, emendar: “Aprovado”. Por se tratar de decreto legislativo, o texto não será enviado à sanção presidencial, expediente que permite eventuais vetos.

Veja como os deputados votaram o regime de urgência do aumento que os beneficiou, de acordo com as informações da própria Câmara:

Acre (AC)
Flaviano Melo PMDB Sim
Henrique Afonso PV Não
Sergio Petecão PMN Sim
Total Acre: 3

Alagoas (AL)
Antonio Carlos Chamariz PTB Sim
Benedito de Lira PP Sim
Francisco Tenorio PMN Sim
Givaldo Carimbão PSB Sim
Joaquim Beltrão PMDB Sim
Maurício Quintella Lessa PR Sim
Total Alagoas: 6

Amapá (AP)
Evandro Milhomen PCdoB Sim
Janete Capiberibe PSB Sim
Jurandil Juarez PMDB Sim
Sebastião Bala Rocha PDT Sim
Total Amapá: 4

Amazonas (AM)
Átila Lins PMDB Sim
Rebecca Garcia PP Sim
Silas Câmara PSC Sim
Total Amazonas: 3

Bahia (BA)
Alice Portugal PCdoB Sim
Antonio Carlos Magalhães Neto DEM Sim
Claudio Cajado DEM Sim
Colbert Martins PMDB Sim
Daniel Almeida PCdoB Sim
Edson Duarte PV Sim
Fábio Souto DEM Sim
Félix Mendonça DEM Sim
Geraldo Simões PT Sim
João Carlos Bacelar PR Sim
João Leão PP Sim
Jorge Khoury DEM Sim
José Carlos Aleluia DEM Sim
José Carlos Araújo PDT Sim
José Rocha PR Sim
Luiz Alberto PT Sim
Luiz Bassuma PV Não
Márcio Marinho PRB Sim
Marcos Medrado PDT Sim
Mário Negromonte PP Sim
Maurício Trindade PR Sim
Nelson Pellegrino PT Sim
Paulo Magalhães DEM Sim
Roberto Britto PP Sim
Sérgio Barradas Carneiro PT Sim
Sérgio Brito PSC Sim
Severiano Alves PMDB Sim
Uldurico Pinto PHS Sim
Veloso PMDB PmdbPtc Sim
Walter Pinheiro PT Sim
Zezéu Ribeiro PT Sim
Total Bahia: 31

Ceará (CE)
Aníbal Gomes PMDB Sim
Ariosto Holanda PSB Sim
Eugênio Rabelo PP Sim
Flávio Bezerra PRB Sim
José Guimarães PT Sim
Paulo Henrique Lustosa PMDB Sim
Zé Gerardo PMDB Sim
Total Ceará: 7

Distrito Federal (DF)
Alberto Fraga DEM Sim
Augusto Carvalho PPS Não
Jofran Frejat PR Sim
Magela PT Não
Tadeu Filippelli PMDB Sim
Total Distrito Federal: 5

Espírito Santo (ES)
Camilo Cola PMDB Sim
Capitão Assumção PSB Não
Jurandy Loureiro PSC Sim
Lelo Coimbra PMDB Não
Manato PDT Sim
Rita Camata PSDB Sim
Sueli Vidigal PDT Não
Total Espírito Santo: 7

Goiás (GO)
Carlos Alberto Leréia PSDB Sim
Luiz Bittencourt PMDB Sim
Marcelo Melo PMDB Sim
Pedro Wilson PT Sim
Professora Raquel Teixeira PSDB Sim
Roberto Balestra PP Sim
Total Goiás: 6

Maranhão (MA)
Davi Alves Silva Júnior PR Sim
Gastão Vieira PMDB Sim
Julião Amin PDT Sim
Pedro Fernandes PTB Sim
Pedro Novais PMDB Sim
Pinto Itamaraty PSDB Sim
Professor Setimo PMDB Sim
Ribamar Alves PSB Sim
Waldir Maranhão PP Sim
Zé Vieira PR Sim
Total Maranhão: 10

Mato Grosso (MT)
Carlos Abicalil PT Sim
Carlos Bezerra PMDB Sim
Eliene Lima PP Sim
Homero Pereira PR Sim
Thelma de Oliveira PSDB Sim
Valtenir Pereira PSB Sim
Wellington Fagundes PR Sim
Total Mato Grosso: 7

Mato Grosso do Sul (MS)
Antônio Carlos Biffi PT Sim
Antonio Cruz PP Sim
Dagoberto PDT Sim
Geraldo Resende PMDB Sim
Marçal Filho PMDB Sim
Nelson Trad PMDB Sim
Vander Loubet PT Não
Waldemir Moka PMDB Sim
Total Mato Grosso do Sul: 8

Minas Gerais (MG)
Ademir Camilo PDT Sim
Aelton Freitas PR Sim
Alexandre Silveira PPS Sim
Antônio Andrade PMDB Sim
Antônio Roberto PV Sim
Aracely de Paula PR Sim
Bilac Pinto PR Sim
Carlos Willian PTC Sim
Ciro Pedrosa PV Sim
Edmar Moreira PR Sim
Eduardo Barbosa PSDB Sim
Fábio Ramalho PV Sim
Gilmar Machado PT Sim
Humberto Souto PPS Sim
Jairo Ataide DEM Sim
Jô Moraes PCdoB Sim
João Magalhães PMDB Sim
José Santana de Vasconcellos PR Sim
Júlio Delgado PSB Sim
Lael Varella DEM Sim
Leonardo Quintão PMDB Sim
Luiz Fernando Faria PP Sim
Márcio Reinaldo Moreira PP Sim
Marcos Lima PMDB Sim
Marcos Montes DEM Sim
Maria Lúcia Cardoso PMDB Sim
Mário Heringer PDT Sim
Mauro Lopes PMDB Sim
Miguel Martini PHS Sim
Narcio Rodrigues PSDB Sim
Odair Cunha PT Sim
Paulo Abi-Ackel PSDB Sim
Paulo Piau PMDB Sim
Reginaldo Lopes PT Sim
Silas Brasileiro PMDB Sim
Virgílio Guimarães PT Sim
Vitor Penido DEM Sim
Total Minas Gerais: 37

Pará (PA)
Ann Pontes PMDB Sim
Asdrubal Bentes PMDB Sim
Bel Mesquita PMDB Sim
Beto Faro PT Sim
Elcione Barbalho PMDB Sim
Gerson Peres PP Sim
Giovanni Queiroz PDT Sim
Lira Maia DEM Sim
Lúcio Vale PR Sim
Paulo Rocha PT Sim
Wladimir Costa PMDB Sim
Zé Geraldo PT Sim
Zenaldo Coutinho PSDB Sim
Total Pará: 13

Paraíba (PB)
Armando Abílio PTB Sim
Luiz Couto PT Não
Major Fábio DEM Não
Manoel Junior PMDB Sim
Marcondes Gadelha PSC Sim
Rômulo Gouveia PSDB Sim
Vital do Rêgo Filho PMDB Sim
Wellington Roberto PR Sim
Wilson Braga PMDB Sim
Total Paraíba: 9

Paraná (PR)
Alceni Guerra DEM Sim
Alex Canziani PTB Sim
Alfredo Kaefer PSDB Não
Andre Vargas PT Sim
Angelo Vanhoni PT Sim
Assis do Couto PT Não
Cassio Taniguchi DEM Sim
Cezar Silvestri PPS Sim
Dilceu Sperafico PP Sim
Gustavo Fruet PSDB Não
Luiz Carlos Hauly PSDB Sim
Luiz Carlos Setim DEM Sim
Marcelo Almeida PMDB Não
Moacir Micheletto PMDB Sim
Nelson Meurer PP Sim
Odílio Balbinotti PMDB Sim
Osmar Serraglio PMDB Sim
Ratinho Junior PSC Sim
Reinhold Stephanes PMDB Não
Ricardo Barros PP Sim
Rodrigo Rocha Loures PMDB Sim
Takayama PSC Não
Wilson Picler PDT Sim
Total Paraná: 23

Pernambuco (PE)
Ana Arraes PSB Sim
Bruno Rodrigues PSDB Sim
Carlos Eduardo Cadoca PSC Sim
Eduardo da Fonte PP Sim
Fernando Coelho Filho PSB Sim
Fernando Ferro PT Sim
Gonzaga Patriota PSB Sim
Inocêncio Oliveira PR Não votou porque estava presidindo a sessão
José Mendonça Bezerra DEM Sim
Maurício Rands PT Sim
Pedro Eugênio PT Sim
Raul Henry PMDB Sim
Raul Jungmann PPS Não
Wolney Queiroz PDT Sim
Total Pernambuco: 14

Piauí (PI)
Átila Lira PSB Sim
Ciro Nogueira PP Sim
José Maia Filho DEM Sim
Júlio Cesar DEM Sim
Marcelo Castro PMDB Sim
Osmar Júnior PCdoB Sim
Paes Landim PTB Sim
Total Piauí: 7

Rio de Janeiro (RJ)
Alexandre Santos PMDB Sim
Antonio Carlos Biscaia PT Sim
Bernardo Ariston PMDB Sim
Carlos Santana PT Sim
Chico Alencar PSOL Não
Cida Diogo PT Não
Dr. Adilson Soares PR Sim
Dr. Paulo César PR Sim
Edmilson Valentim PCdoB Sim
Edson Ezequiel PMDB Sim
Eduardo Cunha PMDB Sim
Fernando Gabeira PV Não
Filipe Pereira PSC Sim
Geraldo Pudim PR Sim
Hugo Leal PSC Sim
Indio da Costa DEM Sim
Jair Bolsonaro PP Sim
Léo Vivas PRB Sim
Nelson Bornier PMDB Sim
Paulo Rattes PMDB Sim
Rodrigo Maia DEM Sim
Silvio Lopes PSDB Abstenção
Simão Sessim PP Sim
Solange Almeida PMDB Sim
Solange Amaral DEM Sim
Vinicius Carvalho PTdoB Sim
Total Rio de Janeiro: 26

Rio Grande do Norte (RN)
Henrique Eduardo Alves PMDB Sim
Rogério Marinho PSDB Sim
Total Rio Grande do Norte: 2

Rio Grande do Sul (RS)
Cláudio Diaz PSDB Sim
Darcísio Perondi PMDB Sim
Emilia Fernandes PT Abstenção
Fernando Marroni PT Sim
Germano Bonow DEM Sim
José Otávio Germano PP Sim
Luciana Genro PSOL Não
Luis Carlos Heinze PP Sim
Marco Maia PT Sim
Mendes Ribeiro Filho PMDB Sim
Osmar Terra PMDB Sim
Paulo Pimenta PT Não
Paulo Roberto Pereira PTB Sim
Pompeo de Mattos PDT Sim
Renato Molling PP Sim
Sérgio Moraes PTB Sim
Vieira da Cunha PDT Sim
Vilson Covatti PP Sim
Total Rio Grande do Sul: 18

Rondônia (RO)
Agnaldo Muniz PSC Abstenção
Eduardo Valverde PT Não
Ernandes Amorim PTB Não
Mauro Nazif PSB Não
Moreira Mendes PPS Sim
Total Rondônia: 5

Roraima (RR)
Angela Portela PT Sim
Edio Lopes PMDB Sim
Francisco Rodrigues DEM Sim
Luciano Castro PR Sim
Marcio Junqueira DEM Sim
Maria Helena PSB Sim
Total Roraima: 6

Santa Catarina (SC)
Angela Amin PP Sim
Celso Maldaner PMDB Sim
Décio Lima PT Não
João Matos PMDB Sim
Mauro Mariani PMDB Sim
Paulo Bauer PSDB Sim
Valdir Colatto PMDB Sim
Vignatti PT Sim
Zonta PP Sim
Total Santa Catarina: 9

São Paulo (SP)
Abelardo Camarinha PSB Sim
Aldo Rebelo PCdoB Sim
Antonio Bulhões PRB Sim
Antonio Carlos Pannunzio PSDB Sim
Arnaldo Jardim PPS Sim
Beto Mansur PP Sim
Carlos Sampaio PSDB Sim
Carlos Zarattini PT Sim
Celso Russomanno PP Sim
Devanir Ribeiro PT Sim
Dr. Nechar PP Sim
Dr. Talmir PV Não
Dr. Ubiali PSB Sim
Edson Aparecido PSDB Sim
Emanuel Fernandes PSDB Não
Fernando Chiarelli PDT Não
Francisco Rossi PMDB Sim
Guilherme Campos DEM Sim
Ivan Valente PSOL Não
Jilmar Tatto PT Sim
João Dado PDT Sim
Jorginho Maluly DEM Sim
José C Stangarlini PSDB Não
José Genoíno PT Sim
Lobbe Neto PSDB Sim
Luiza Erundina PSB Não
Marcelo Ortiz PV Sim
Milton Monti PR Sim
Milton Vieira DEM Sim
Nelson Marquezelli PTB Sim
Paes de Lira PTC Não
Paulo Pereira da Silva PDT Sim
Paulo Teixeira PT Sim
Regis de Oliveira PSC Não
Renato Amary PSDB Sim
Ricardo Tripoli PSDB Sim
Roberto Alves PTB Sim
Roberto Santiago PV Sim
Vanderlei Macris PSDB Sim
Vicentinho PT Sim
Walter Ihoshi DEM Sim
William Woo PPS Sim
Total São Paulo: 42

Sergipe (SE)
Iran Barbosa PT Não
José Carlos Machado DEM Sim
Pedro Valadares DEM Sim
Valadares Filho PSB Sim
Total Sergipe: 4

Tocantins (TO)
Eduardo Gomes PSDB Sim
João Oliveira DEM Sim
Laurez Moreira PSB Sim
Lázaro Botelho PP Sim
Moises Avelino PMDB Sim
NIlmar Ruiz PR Sim
Total Tocantins: 6

terça-feira, 20 de julho de 2010

VOCÊ ELEITOR, TAMBÉM É CULPADO!!!




Reportagens Especiais

Home > Reportagens Especiais > Eleições 2010

20/07/2010 - 07h00

Conheça toda a turma do dinheiro no colchão

Veja a lista completa dos Tios Patinhas das eleições: os candidatos a presidente, governador, vice e senador que disseram guardar em casa grandes somas de dinheiro

PMDB
Pergunta que não quer calar: por que Quércia guarda R$ 1,2 milhão em casa? Veja a lista dos Tios Patinhas das eleições majoritárias

Rudolfo Lago e Thomaz Pires

Candidato a senador em São Paulo, o ex-governador Orestes Quércia é uma pedra no sapato para seu partido, o PMDB. Enquanto seu companheiro de estado e de legenda, o presidente da Câmara, Michel Temer, é o candidato a vice de Dilma Rousseff, Quércia apoia a candidatura de José Serra, do PSDB, e está na chapa que pretende levar Geraldo Alckmin de volta ao governo de São Paulo. Quércia declarou à Justiça eleitoral possuir R$ 1,2 milhão em espécie guardados na sua casa. Se ele trocar essa dinheirama em notas de R$ 2, a de menor valor hoje em circulação, ficará com 600 mil notas. Cada uma delas tem 14 centímetros de comprimento. Se Quércia colocar uma nota na frente da outra, percorrerá nada menos que 84 quilômetros. Certamente é o suficiente, com sobras, para conduzir Alckmin de sua casa até o Palácio dos Bandeirantes no dia 1 de janeiro, se for eleito, pisando em dinheiro.

Somente a possibilidade de concretizar desejos estranhos como o descrito acima pode explicar, nos dias de hoje, o gosto por guardar tanto dinheiro em espécie em casa. A trilha de notas sugerida para Quércia é algo tão bizarro quanto a piscina de patacas do Tio Patinhas. Num país sem inflação, com um sistema bancário sólido, por que tantos candidatos declaram à Justiça eleitoral guardar volumes tão altos de grana viva em casa?

Pode não servir para explicar tudo, mas declarar altas somas de dinheiro fora do sistema bancário ajuda a acertar contabilidades que, de outras formas, não fechariam. É impossível verificar a existência de tal dinheirama. Se alguém quiser atestar se de fato o dinheiro existe, bastará ao dono dizer que o gastou na véspera. Será simplesmente impossível rastrear-se para saber se é verdade. Guardar altas quantias em casa, porém, não é algo irregular. É um fato. E a explicação dada por todos os candidatos que assim fazem para explicar tal hábito. A começar pela candidata do PT, Dilma Rousseff, que diz ter R$ 133,3 mil no seu cofre, ou no seu colchão.

Quércia é o dono do colchão mais polpudo, mas está longe de ser o único dos candidatos a cargos eletivos em outubro que revela ter esse estranho hábito. O Congresso em Foco levantou toda a turma do dinheiro no colchão que disputa este ano cargos majoritários. Ficaram de fora os descrentes no sistema bancário que concorrem para o Legislativo, como deputados federais, distritais ou estaduais.

Depois de Quércia, quem possui a maior fortuna fora dos bancos é Nilo Coelho, candidato a vice-governador de Paulo Souto, do PSDB, na Bahia. Ele afirmou ter R$ 912,6 mil em casa. O senador Romero Jucá (RR), líder do governo, é outro caso curioso: diz ter R$ 548 mil guardados em casa. Isso representa nada menos que 89% de tudo o que Jucá declarou. A menor quantia declarada pertence a Toninho do Psol, candidato a governador do Distrito Federal, que disse ter em casa R$ 2 mil.


Terça-Feira, 20 de Julho de 2010

Reportagens Especiais

Home > Reportagens Especiais > Eleições 2010

20/07/2010 - 06h59

Veja quem declarou guardar dinheiro em casa

CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA

Dilma Rousseff (PT) - R$ 133,3 mil


CANDIDATOS A GOVERNADOR, VICE E SENADOR

ALAGOAS

VICE-GOVERNADOR
Galba Novais (PRB)- R$ 20 mil (vice de Fernando Collor, do PTB)

AMAZONAS

GOVERNADOR E VICE
Omar Aziz (PMN) – R$ 50 mil
José Melo (PMDB) – R$ 200 mil (vice de Omar Aziz, do PMN)

SENADOR
Eduardo Braga (PMDB) – R$ 100 mil
Vanessa Grazziottin (PCdoB) – R$ 30 mil

AMAPÁ

GOVERNADOR E VICE
Lucas (PTB) – R$ 85 mil
Jaime Nunes (PSDC) – R$ 240 mil

BAHIA

VICE-GOVERNADOR
Nilo Coelho (PSDB) – R$ 912,6 mil (vice de Paulo Souto, do PSDB)

RIO GRANDE DO SUL

GOVERNADOR
Nubem Medeiros (PCB) – R$ 5,4 mil

SENADOR
Germano Rigotto (PMDB) – R$ 160 mil

CEARÁ

SENADOR
Eunício Oliveira (PMDB) – R$ 153 mil

DISTRITO FEDERAL

GOVERNADOR E VICE
Filipelli (PMDB) – R$ 20 mil (vice de Agnelo Queiroz, do PT)
Toninho do Psol – R$ 2 mil
Joaquim Roriz (PSC) – R$ 160 mil
Jofran Frejat (PR) – R$ 250 mil (vice de Joaquim Roriz)

GOIÁS

VICE-GOVERNADOR
José Éliton (DEM) – R$ 20 mil (vice de Marconi Perillo, do PSDB)
Ernesto Roller (PP) – R$ 68 mil (vice de Vanderlan, do PR)

SENADOR
Lúcia Vânia (PSDB) – R$ 320 mil

MATO GROSSO DO SUL

GOVERNADOR
Zeca do PT – R$ 60 mil

SENADOR
Dagoberto Nogueira (PDT) – R$ 160 mil

MINAS GERAIS

GOVERNADOR
Hélio Costa (PMDB) – R$ 24 mil
Zé Fernando Aparecido (PV) – 37 mil

PARÁ

SENADOR
Flexa Ribeiro (PSDB) – R$ 265 mil

PARAÍBA

SENADOR
Wilson Santiago (PMDB) – R$ 200 mil
Vitalzinho (PMDB) – R$ 215 mil

PARANÁ

GOVERNADOR
Amadeu Felipe (PR) – R$ 55 mil
Rodrigo Rocha (PMDB) – R$ 10 mil (vice de Osmar Dias, do PDT)

SENADOR
Roberto Requião (PR) – R$ 400 mil

PIAUÍ

GOVERNADOR
João Vicente Claudino (PTB) – R$ 350 mil
Raimundo de Sá Filho (PSDB) – R$ 125,7 mil (vice de Silvio Mendes, do PSDB)
Wilson Martins (PSB) – R$ 50 mil

SENADOR
Ciro Nogueira (PP) – R$ 210 mil
Mão Santa (PSC) – R$ 95 mil

RIO DE JANEIRO

GOVERNADOR
Fernando Peregrino (PR) – R$ 2,5 mil

SENADOR
Carlos Dias (PT do B) – R$ 38 mil
Marcelo Cerqueira (PPS) – R$ 380 mil

RIO GRANDE DO NORTE

GOVERNADOR
Alvaro Dias (PDT) – R$ 120 mil (vice de Carlos Eduardo, do PDT)
Robinson Farias (PMN) – R$ 55 mil (vice de Rosalba Ciarlini, do DEM)

RORAIMA

SENADOR
Lauro Barreto (PHS) – R$ 50 mil
Romero Jucá (PMDB) – R$ 545 mil

SANTA CATARINA

GOVERNADOR
Angela Amin (PP) – R$ 63 mil
Ideli Salvatti (PT) – R$ 50 mil
Manoel Dias (PDT) – R$ 80 mil (vice de Ângela Amin, do PP)

SENADOR
Hugo Bihel (PP) – R$ 130 mil
Paulo Bauer (PSDB) – R$ 27 mil

SÃO PAULO

GOVERNADOR
Fábio Feldmann (PV) – R$ 20 mil
Paulo Skaf (PV) – R$ 20 mil
Eliana Ferreira (PSTU) –R$ 60 mil
Afif Domingos (DEM) – R$ 380 mil

SENADOR
Aloyisio Nunes (PSB) – R$ 50 mil
Toni Curiati (PP) – R$ 30 mil
Orestes Quercia (PMDB) – R$ 1,3 milhão

SERGIPE

SENADOR
João Augusto Nascimento (PSDC) – R$ 100 mil

TOCANTINS

GOVERNADOR
Siqueira Campos (PSDB) – R$ 30mil

SENADOR
Vicentinho Alves (PR) – R$ 100 mil

quarta-feira, 14 de julho de 2010

GENTALHA, GENTALHA, GENTALHA!!!




Reportagens Especiais

Home > Reportagens Especiais > Venda de vagas

14/07/2010 - 06h43
SITE: CONGRESSO EM FOCO

Vaga na Câmara comprada com material de construção

Grampo obtido pelo Congresso em Foco mostra conversa em que funcionário diz ter gasto R$ 4 mil para reformar casa de suposta chefe do esquema em troca de emprego para os filhos

















Laycer Thomaz/Câmara
Copeira serve café a deputados: grampo mostra que vagas podiam ser compradas até em troca de material de construção

Eduardo Militão

A gravação de uma conversa entre funcionários da Câmara mostra que o esquema de venda de vagas de terceirizados, revelado pelo Congresso em Foco, permitia várias formas de pagamento. Além dos tíquetes-alimentação, a despesa poderia ser quitada até com material de construção e mão-de-obra de pedreiros e pintores para a ex-funcionária terceirizada Patrícia Guedes Silva, acusada de comercializar as vagas na Casa.

Tudo está documentado com notas fiscais, segundo áudios como o trecho reproduzido abaixo. São duas conversas obtidas pelo site, que somam 37 minutos e 16 segundos e estão divididas em cinco arquivos digitais. A pedido da fonte que repassou os áudios, o Congresso em Foco só publica as transcrições das conversas, para evitar a identificação de um dos interlocutores.

Trecho da gravação

FUNCIONÁRIO X – Não, meu, a Patrícia tem o rabo preso com você não. (...)
SEVERINO ARAÚJO – É mesmo? Quem botou 60 metros de cerâmica na casa dela? (...) Eu comprei e botei. Quem botou? Quem pintou a casa dela? (...) Você vem falar pra mim: “Ela não tem rabo preso comigo”! (...)
FUNCIONÁRIO X – Você pintou a casa da mulher. Você botou cerâmica na casa dela. E aí? É rabo preso? (...)
SEVERINO – E o Rogério entrar aqui? (...) Tudo teve preço [inaudível] e eu anotei. Entendeu, pô? Eu tenho nota fiscal [som de palmadas na mão] da Madecon, entendeu? Tenho a nota fiscal [som de mais palmadas na mão]. O Luís pedreiro foi quem botou. O Zé Maria foi quem pintou. (...)Tudo tem rabo preso aqui.
Procurada pela reportagem, Patrícia reclamou de “perseguição” e não fez novos comentários. Em entrevista, o garçom Severino Garcia de Araújo negou suas próprias declarações gravadas em áudio, ao dizer nunca ter comprado vagas.

Como mostrou o Congresso em Foco, a Polícia Legislativa da Câmara investiga um esquema de venda de vagas de garçons e copeiras na Casa. Patrícia foi indiciada pelos policiais por estelionato. Ela é acusada por duas ex-funcionárias de receber de R$ 1.000 a R$ 3.500 para contratar servidores terceirizados e de desviar copeiras da Câmara para lhe prestarem serviços particulares.

Na primeira conversa, no início de março deste ano, o nome de Patrícia não é dito. Severino, funcionário do Anexo II da Casa, e seu interlocutor referem-se apenas a "ela". O garçom diz que pagou a “ela” o equivalente a R$ 4 mil ou mais pelas vagas de um filho identificado apenas como Rogério, que trabalhou na Câmara, e da filha Fernanda Freitas de Araújo, que atua no Anexo III. O problema é que Rogério foi demitido depois, o que irritou Severino.

Revestimento e pintura

Na segunda conversa, o nome de Patrícia é mencionado. Ela acontece depois da primeira reportagem do Congresso em Foco, publicada em 17 de junho. O garçom Severino diz que bancou uma obra na casa de Patrícia, que foi a encarregada geral dos 800 terceirizados na Câmara mantidos pela empresa Unirio Manutenção e Serviços Ltda. Severino afirma que pagou 60 metros quadrados de pisos cerâmicos, além da mão-de-obra de um profissional para colocar o revestimento e outro para fazer pintura.

Na gravação, o garçom diz possuir nota fiscal da loja para comprovar tudo. Em determinado momento, faz menção a um cheque assinado que “ficou lá.” O garçom assegura que não foi apenas um favor prestado a Patrícia. Explica que o motivo da obra realizada foi o emprego para seu filho Rogério: “E o Rogério entrar aqui?”. Severino afirma, com irritação, que a então encarregada geral tem “rabo preso” com ele.

“Muito burra”

Neste trecho da gravação feita em março, o garçom Severino diz que o preço pago ficou em torno de R$ 4 mil reais pelo menos. E afirma que “ela” é “muito burra” porque o garçom sabe de tudo. Em outros trechos das gravações, Severino cita nomes de pessoas que compraram vagas.

FUNCIONÁRIO X – Tu sabe, todo mundo sabe que ela vende vaga ali.
SEVERINO – Isso, pronto.
FUNCIONÁRIO X – Tu já tá sabendo...
SEVERINO – Todo mundo sabe desde o começo. Mas ela é muito burra. Ela sabe que eu sei de tudo e ela [inaudível] na hora. Pra mim, ou ela é doida ou é burra demais.
FUNCIONÁRIO X – O que eu sei de nome de gente que pagou vaga. A mulher do Genésio é um...
SEVERINO – Todo mundo vendeu, todo mundo vendeu. Eu paguei pra Fernanda, pra Rogério entrar. Todo mundo
FUNCIONÁRIO X – Mas tu pagou muito?
SEVERINO – Paguei, paguei.
FUNCIONÁRIO X – Mil reais cada um? Mil?
SEVERINO – Ficou uns quatro mil ou mais...

Ainda na mesma conversa de março, mas um pouco antes de revelar o preço pago, o garçom Severino diz como foi sua conversa com “ela” para readmitir o filho Rogério, que, mesmo depois de pagar para entrar na Câmara, acabou sendo dispensado da empresa. O funcionário mostra que a reclamação com Patrícia aconteceu ainda este ano, já na gestão da empresa Unirio – que sucedeu a Capital Empresa de Serviços Gerais Ltda na prestação de serviços para o Legislativo.

SEVERINO – Busquei lá embaixo e [inaudível] e falei: “Ó, a partir de hoje, a partir de hoje, eu só falo com você, quando você fichar o Rogério. Eu só vou dar pra você bom dia e boa tarde”.
FUNCIONÁRIO X – Pra você fichar o Rogério?
SEVERINO – É, é. [inaudível] Hoje faz... Segunda-feira faz oito dias, segunda-feira faz oito dias que eu cheguei pra ela e falei: “Ó, A partir de hoje, eu só falo com você quando você fichar o Rogério seja onde for. Eu não sou otário, não, tá entendendo?”...
FUNCIONÁRIO X – Ela tava só?
SEVERINO – ...Ela: “Estou”. “Ó, a partir de hoje, eu só falo com você quando você fichar o Rogério. Eu só vou dar bom dia e boa tarde porque é minha obrigação, tá bom?”. Ela: “Tá bom”.
(...)
SEVERINO – Quem fichou ele aqui? Ela. Quem tirou ele daqui? Ela. Então, ela tem muito [inaudível]. Eu tô errado?

Na segunda conversa, após 17 de junho, Severino fica irritado ao confirmar que Patrícia tem “rabo preso” com ele.

FUNCIONÁRIO X – Não, meu, a Patrícia tem o rabo preso com você não.
SEVERINO – Hein?
FUNCIONÁRIO X – A Patrícia tem o rabo preso com você não.
SEVERINO – Tem não?
FUNCIONÁRIO X – A Patrícia não.
SEVERINO – É mesmo?
FUNCIONÁRIO X – Poder vir Vanilson. Ela tá c* e andando pra você.
SEVERINO – É mesmo? Quem botou 60 metros de cerâmica na casa dela?
FUNCIONÁRIO X – Quem?
SEVERINO – Quem foi que botou?
FUNCIONÁRIO X – Tu é ceramista?
SEVERINO – É.
FUNCIONÁRIO X – Tu corta cerâmica?
SEVERINO – Eu corto. Eu comprei e botei. Quem botou? Quem pintou a casa dela? Foi você? Foi o Vanilson [José Vanilson, encarregado da Unirio]? Você não sabe nada.
FUNCIONÁRIO X – Não, não, uai. Mas, mas...
SEVERINO – Você vem falar pra mim: “Ela não tem rabo preso comigo”!

Na sequência, o interlocutor desafia Severino a mostrar qual a relação entre a obra e alguma irregularidade. E o garçom ainda acrescenta que possui documentos para comprovar o que diz, citando o nome de uma loja chamada de Madecon:

FUNCIONÁRIO X – Tu pintou a casa da mulher. Você botou cerâmica na casa dele. E aí? É rabo preso?
SEVERINO – É não?
FUNCIONÁRIO X – Não...
SEVERINO – E o Rogério...
FUNCIONÁRIO X – ...Podia não ser.
SEVERINO – E o Rogério entrar aqui? O Rogério da...
FUNCIONÁRIO X – Ah, você botou pra...
SEVERINO – Aaaaaaah, você não sabe o que está falando, não!
FUNCIONÁRIO X – Não, agora entendi.
SEVERINO – Não, não entendeu foi nada. Tudo teve preço [inaudível] e eu anotei. Entendeu, pô? Eu tenho nota fiscal [som de palmadas na mão] da Madecon, entendeu? Tenho a nota fiscal [som de mais palmadas na mão]. O Luís pedreiro foi quem botou. O Zé Maria foi quem pintou. O Luís pedreiro [inaudível]. Eu tô calado. Tudo tem rabo preso aqui.

Severino faz comentários ofensivos a Patrícia e seus familiares pouco antes de citar a existência de um cheque assinado.

SEVERINO – Todo mundo sabe que ela é. Eu tenho é dó dela. Eu não. Meu salário é mil reais mesmo. Entendeu o que eu tô falando? Esse cheque assinado, esse cheque ficou lá.

O interlocutor do garçom diz que Patrícia pode mandar ele embora da empresa. “Vai ver vai te mandar embora depois”, diz o colega do garçom. Mas Severino desdenha dessa possibilidade e afirma saber de tudo.

SEVERINO – Ela não manda de jeito nenhum. Você é doido. Eu acho que você é doido. Como ela vai mandar o [inaudível] embora? Ou eu, que sei tudo? Eu tinha pago... Se ela pedir prova, eu tenho. Se ela pedir nota fiscal dos materiais, eu tenho, de tudo.

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Atila (14/07/2010 - 07h15)

Que beleza! Parece com uma dessas feiras de produtos pirateados e contrabandeados, se faz negócios de tudo quanto é tipo.Essa turminha aprendeu direito com os chefes.

sábado, 8 de maio de 2010

POLÍTICOS " POPULISTAS" IRÃO QUEBRAR O PAÍS



Brasil
O risco do populismo eleitoral
Num surto demagógico, os deputados aumentam em 4 bilhões de reais
os gastos com aposentados – e vem mais por aí



Diego Escosteguy
Fotos Pablo Valadares, Sergio Dutti/AE e Wilson Pedrosa/AE
ALIADOS NA GASTANÇA
A Força Sindical, do deputado Paulo Pereira da Silva, e o PMDB de Renan Calheiros avalizaram
a irresponsabilidade, que deve ser vetada pelo presidente Lula

Somam 323 os nobres parlamentares que, na tormentosa noite da terça-feira passada, ignoraram o equilíbrio das contas públicas, os apelos do governo e, sobretudo, o bom senso para aprovar duas medidas populistas que podem sangrar em 4 bilhões de reais por ano os cofres do estado brasileiro. Uma delas prevê um generoso reajuste de 7,7% aos aposentados que recebem acima de um salário mínimo, índice muito superior ao que o governo tem condições de pagar. A outra pôs fim ao fator previdenciário, cálculo que dificultava a aposentadoria antecipada dos trabalhadores e, com isso, minimizava a insolvência do sistema de aposentadoria público. O ruinoso projeto segue agora para o Senado. Lá, os peemedebistas Romero Jucá e Renan Calheiros, capitães do mato do governo, avisaram aos patrões que a proposta também passará docilmente. Caberá então ao presidente Lula a impopular porém necessária tarefa de vetar a medida – e ele já mandou dizer que, para preservar a solidez dos alicerces econômicos do país, assim o fará. Não se esperava menos do presidente. Nem, por outro lado, se esperava mais dos congressistas. Cedendo gostosamente às tentações populistas que grassam em tempos eleitorais, eles ainda preparam a votação de um bilionário pacote de tungas – que, se aprovadas pelo Congresso, podem causar uma inconcebível cratera de 26 bilhões de reais nas contas públicas.

Esse pacote compõe-se de projetos que estão prontos para ir a votação no plenário da Câmara e, não por acaso, beneficiam somente funcionários públicos, uma privilegiadíssima casta de 1 milhão de pessoas, que custam cerca de 100 bilhões de reais por ano ao país. Há criação de cargos de carreira e de confiança, funções comissionadas, reajustes, equiparações salariais – enfim, contempla-se todo o vernáculo burocrático que faz brilhar os olhos dos sindicalistas, que faturam politicamente esses ganhos junto aos seus filiados, mas que apavora os demais brasileiros – aqueles que acabam pagando a conta do lucro da companheirada. Está pronta para ir a plenário, por exemplo, a criação de quase 17 000 cargos no Judiciário e 5 000 no Executivo. Outros dois projetos estipulam reajustes fabulosos para todos os burocratas do Ministério Público e do Judiciário. Se essas propostas vierem a prosperar, para arcar com elas o país gastará a extraordinária quantia de 11 bilhões de reais por ano – o mesmo valor investido pelo governo em 2009 no Bolsa Família, o principal programa de distribuição de renda do país. Diz o cientista político Octaciano Nogueira, da Universidade de Brasília: "O problema não é só criar novas despesas sem receita, mas também criar as despesas erradas. Devem-se privilegiar investimentos em áreas como infraestrutura, saúde, educação".

Entre os sortilégios prestes a se materializar no plenário da Câmara, constam aberrações indefensáveis, como a emenda à Constituição que acaba com os limites para o cálculo do adicional por tempo de serviço, proposta que pode sugar quase 10 bilhões de reais dos cofres públicos. Revela-se alarmante o fato de que os autores dessas propostas não são deputados radicais de partidos nanicos, nem opositores dispostos a prejudicar o governo de qualquer maneira: são parlamentares que compõem a base aliada. O fim do fator previdenciário resultou do esforço do senador Paulo Paim, do PT do Rio Grande do Sul. O deputado Arnaldo Faria de Sá, do PTB de São Paulo, patrocina a emenda que aumenta o salário dos policiais. Regis de Oliveira, outro governista, assina a proposta que ressuscita o adicional por tempo de serviço.

A autoria desses projetos, assim como a tranquila aprovação na semana passada do reajuste dos aposentados, reforça que a dita base aliada no Congresso só é aliada quando lhe convém – ou seja, na hora de nomear apadrinhados no governo e exigir a liberação de emendas ao Orçamento. Nos momentos em que a coerência programática deve prevalecer, prevalece, ao contrário, a lei da selva política: cada um faz o que melhor for para os seus interesses. Perto das eleições, quando os interesses dos parlamentares se resumem a manter-se no poder, as prioridades deles, naturalmente, aliam-se às prioridades de quem pode elegê-los. É nesses instantes que assoma a força das categorias articuladas politicamente, como os funcionários públicos. Eles formam a plateia que dobra o Congresso, porque dobrado o Congresso se deixa ser, de modo a continuar onde está.

De um modo ou de outro, a conta dessa farra será quitada pelos brasileiros que trabalham e pagam impostos. Se o Congresso aprovar essas medidas e o presidente sancioná-las, duas coisas poderão acontecer: o governo cortar investimentos necessários para o desenvolvimento do país ou aumentar impostos – ou, ainda pior, promover ambas. "Essa tendência de aprovar mais despesas é extremamente preocupante", afirma o economista José Matias Pereira, da Universidade de Brasília. "A conta não fecha. Não se pode gastar mais do que se ganha. Simples assim."
Sergio Lima/Folha Imagem/Folhapress
Eraldo Peres/AP