Mostrando postagens com marcador SARNEY. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador SARNEY. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 9 de abril de 2010

SARNEY, DE NOVO PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Sarney de novo na presidência
Sem Lula, o vice José Alencar e Michel Temer, da Câmara dos Deputados, presidente do Senado retorna domingo ao cargo que ocupou em 1985, quando assumiu o País após a morte de Tancredo Neves. Deve sair na quarta-feira

Brasília - Vinte anos após ter deixado a Presidência da República, com o Brasil enfrentando uma inflação de mais de 80% por mês, o senador José Sarney (PMDB-AP) deve voltar a comandar o País. Ele deve assumir a cadeira presidencial de novo domingo, por causa da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para Washignton, nos Estados Unidos (EUA), para participar de conferência mundial sobre segurança nuclear.

Sarney deve ficar no cargo até quarta-feira. A posse dele na presidência é a única forma de evitar problemas com a Justiça Eleitoral para o vice-presidente José Alencar (PRB) e o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP). Alencar é o primeiro na linha sucessória de Lula e Temer, o segundo. Se os dois assumissem o lugar de Lula porém, eles não poderiam concorrer nas eleições deste ano. Alencar é pré-candidato a deputado ou senador por Minas Gerais, e Temer, a vice da pré-candidata do PT a presidente, Dilma Rousseff. O prazo de desincompatibilização de ocupantes de cargos do Executivo que querem disputar a eleição terminou dia 3.

Para evitar assumir o lugar de Lula, Alencar arranjou viagem ao Uruguai. Ele deve visitar o Parlamento uruguaio e o presidente José Mujica. Temer também está arranjando uma viagem para o exterior, mas ainda não sabe para onde irá. Se eles ficassem no Brasil, seriam obrigados a assumir a vaga de Lula.

José Sarney disse ontem, que vai cumprir de forma “protocolar” o período em que ocupar a presidência. “Será um ato meramente protocolar, sem consequências administrativas. Já fui presidente, é um tempo que já passou”, afirmou Sarney. Ele disse, porém, que ainda não foi informado sobre a possibilidade de ocupar o cargo. Como Lula tem outras viagens para exterior previstas para antes das eleições, Sarney deverá assumir o cargo outras vezes. Ele poderá ficar na cadeira presidencial por 27 dias até o final de julho.

Em 1985, hiperinflação minou popularidade

Vice-presidente, Sarney assumiu o posto mais alto do executivo no País com a morte de Tancredo Neves. No entanto, o mandato do atual presidente do Senado ficou marcado pela grave crise econômica. Visando o congelamento de preços e um maior poder aquisitivo à população, o Plano Cruzado de Sarney fracassou, após grave crise de abastecimento no País. Também não houve sucesso com o Plano Cruzado II e no fim do governo, a crise levou o País à moratória e a inflação chegou a 2.751%.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

sábado, 8 de agosto de 2009

SARNEY - O VÍRUS QUE ATACA A POLÍTICA NACIONAL


O SARNEY QUE ELES VIRAM ANTES


"Pressionado pelos filhos, ele passou a administrar a política como se fosse uma propriedade de sua família, a casa dos Sarney"
Edson Vidigal, ministro do STJ e ex-assessor jurídico de Sarney

A eleição de José Sarney para o governo do Maranhão em 1965 foi recebida como um sopro de renovação na política brasileira. Aos 36 anos, Sarney pertencia à ala bossa-nova da UDN e cometera a proeza de derrotar a oligarquia. Meio século depois, Sarney passou de esperança a vilão nacional e se vê acusado das mesmas práticas e vícios que condenou.

Mudaram os tempos ou mudou Sarney? Para quem pertenceu ao grupo mais próximo do último coronel da política, e hoje engorda o bloco de seus inimigos, a resposta vem na ponta da língua: Sarney mudou para atender aos interesses da família. Com frequência cada vez maior, cita-se, no Maranhão, uma profecia do ex-senador Alexandre Costa, já falecido: "Sarney, tu vai te acabar na hora em que seus filhos crescerem e tiverem mandando em você." Os ex-amigos de Sarney não se surpreendem com nada do que está acontecendo.

O ex-presidente do Superior Tribunal de Justiça, Edson Vidigal, que acompanhou o ex-presidente desde a década de 60, diz que "os filhos de Sarney escantearam os antigos parceiros do pai e montaram uma rede de poder e influência nefasta nas prefeituras e demais instituições estaduais e até federais." Ou seja, "usam a mesma moeda do senador Vitorino Freire", o coronel da política maranhense que foi derrotado por Sarney na década de 60.

"Pressionado pelos filhos, ele passou a administrar a política como se fosse A uma propriedade de sua família, a casa dos Sarney", explica Vidigal. Com a entrada dos filhos na política, aos poucos, os amigos de longa data tornaram-se inimigos ferozes. Esse foi o caso do engenheiro José Reinaldo Tavares, que galgou vários cargos públicos pelas mãos de Sarney, desde secretário de Estado até ministro dos Transportes em 1986, quando o amigo chegou à Presidência da República. Para José Reinaldo, que governou o Maranhão de 2002 a 2006, os filhos Roseana e Fernando têm responsabilidade na derrocada da imagem de Sarney.

Todos os problemas, diz ele, começaram quando Sarney apostou em Roseana como sua sucessora política: "Ela não tem talento, não tem competência para isso." Sua opinião sobre Fernando também é ácida. "O Fernando, o homem dos negócios da família, acabou se metendo em confusão com essa coisa de confundir o público com o privado."

José Reinaldo acredita que Sarney, aos 79 anos, voltou à presidência do Senado para ajudar Fernando, sob investigação da Polícia Federal, e a filha Roseana, que lutava na Justiça para reverter o resultado da eleição para o governo do Maranhão. "O Sarney já disse que as circunstâncias o obrigavam a ficar mais tempo na política exatamente para defender a filharada", diz o ex-governador.


"O Sarney já disse que as circunstâncias o obrigavam a ficar mais tempo na política exatamente para defender a filharada"
José Reinaldo Tavares, ex-governador do Maranhão

Fiel escudeiro de Sarney por mais de três décadas, José Reinaldo explica que a família rompeu com ele em razão de um acordo que tinha fechado com o ex-presidente, mas que Roseana não respeitou. "Logo que assumi o governo, Sarney veio conversar e me disse: 'Quero ter uma grande alegria na vida, ter dois filhos no governo do Maranhão.'

E me pediu que apoiasse o Sarney Filho", narra. Roseana, porém, não aceitou o acordo. "Numa reunião com o pai, Roseana gritou e disse que quem tinha voto era ela. Depois passou a me hostilizar nos meios de comunicação da família." José Reinaldo conta que teve três reuniões com Sarney para reclamar das agressões, mas nenhuma providência foi tomada. Na terceira reunião, Reinaldo advertiu: "Vou tomar o meu caminho".

José Reinaldo explica que sua relação com a família Sarney piorou de vez quando, em 2005, ele cortou a publicidade do sistema de comunicações comandado por Fernando. "Hoje o Sarney tem muita raiva de mim e me chama de tudo que não presta", diz o ex-governador. No caso de Edson Vidigal, que foi assessor jurídico de Sarney na Presidência da República, o divisor de águas também foi a eleição de 2006. Até ali a amizade dos dois continuava forte. Tanto assim que, em 2004, Vidigal empregou a neta de Sarney, Maria Beatriz, como assessora internacional do STJ. Os atritos começaram quando Vidigal decidiu deixar a presidência do STJ para disputar o governo do Maranhão pelo PSB.

De início, Sarney não levou a sério. E chegou a brincar quando as intenções de voto em Vidigal passaram de 1% para 3%. "Puxa, Vidigal, você cresceu 300%", ironizou. Mas Vidigal conquistou 15% dos votos, contribuindo para o segundo turno entre Roseana e Jackson Lago. Opositor ferrenho dos Sarney, Lago ganhou a eleição com o apoio de Vidigal, que entrou para o rol de desafetos da família. "Desde a derrota de Roseana, eu e minha mulher, Eurídice, que foi secretária de Segurança do Jackson, passamos a ser atacados pelos veículos de comunicação dos Sarney", afirma. Mesmo em atos públicos, Sarney faz de tudo para evitar o cumprimento do ex-amigo.

Ao defender sua prole com unhas e dentes, Sarney ficou isolado na política do Maranhão. Hoje, suas amizades se reduzem às figuras do vice-governador João Alberto e do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Muito pouco para quem, um dia, foi apontado como uma das grandes esperanças da política brasileira, principalmente no Nordeste. Na opinião de Vidigal, Sarney paga um preço alto por não ter seguido a própria intuição.

"Certa vez, no Palácio do Planalto, cercado de amigos, Sarney disse que não repetiria o erro de Napoleão Bonaparte. E explicou que Bonaparte não foi derrotado em Waterloo, mas sim pela família à qual premiou com cargos importantes por toda a Europa", lembra Vidigal. Meses depois, Roseana e seu marido, Jorge Murad, ocupavam postos no Palácio. Sarney, portanto, não deu ouvidos ao conselho do próprio Sarney.


Parecia que a crise no Senado caminhava para um desfecho e que ninguém seria punido por atos secretos que misturam público e privado e nepotismos de toda ordem. Mas na quinta-feira 6, novamente os interesses partidários e pessoais se impuseram. Numa retaliação às investidas do PSDB contra Sarney, Renan leu em plenário a representação do PMDB contra o líder tucano Arthur Virgílio por quebra de decoro. Há inclusive documento mostrando que despesas com a saúde da mãe de Virgílio foram pagas pelo Senado e recursos superiores a R$ 600 mil foram depositados na conta do senador.

Virgílio subiu à tribuna para relembrar as acusações feitas nos últimos anos contra o peemedebista. Foi o suficiente para o bate-boca de moleques voltar a ter espaço na Câmara Alta. O tucano Tasso Jereissati (CE) pediu para Sarney retirar das galerias uma pessoa que estaria ofendendo os líderes do PSDB. Renan reagiu.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

SARNEY NÃO É UMA PESSOA COMUM


21.06.09


Atos secretos
por Daniel Piza, Seção: política/ economia 08:20:06.


Estou mais uma vez com o presidente Lula: o senador José Sarney não é uma pessoa comum. Uma pessoa comum não tem ilha e mausoléu, não pertence aos imortais da ABL, não fica no poder por mais de quatro décadas sem se indispor com ninguém, não é detidamente resenhado por Millôr Fernandes, não tem jornais e rádios em todos os cantos de um Estado cujo IDH está entre os piores. Uma pessoa comum também não tem “atos secretos” para dar emprego público para os parentes de primeiro, segundo e terceiro graus e não tem a honra de ter presidido o Brasil num golpe da fatalidade e de ter levado a inflação aos três dígitos. E uma pessoa comum sabe o que entra em sua conta bancária, embora saiba melhor ainda o que sai e o que não entra.

E há quem continue chamando Lula de um político de esquerda... Quer posição mais favorável ao status quo do que as declarações dele em defesa de Sarney? O que ele disse, em outras palavras, é que os representantes do povo não são pessoas comuns, ou seja, do povo. São especiais, talvez eleitas pela voz divina (a voz do povo é a voz de Deus até terminar a contagem dos votos, depois deve se calar para a eternidade), e portanto merecem foro privilegiado, imunidade parlamentar, carteiradas, “praxes” que até ferem as leis que elas mesmas fizeram. Continuidade popular de FHC, Lula o imita na justificação verbal de alianças com o que há de mais retrógrado na mentalidade brasileira. Sarney, como foi ACM, é o facilitador dos projetos de permanência no poder.

Quem menospreza Sarney como autor comete um erro ao ignorar uma peça literária como o discurso que ele fez na quarta-feira. Primeiro, porque é um exercício de imaginação que deixa longe livros como Saraminda – aquela obra-prima que conta a história de uma mulher com mamilos de ouro em Serra Pelada. Segundo, porque são centenas de linhas com apenas dois argumentos, ou melhor, duas alegações: a de que ele não é culpado, e sim a instituição que ele preside com a tal “crise da democracia representativa” (tradução: todos nós do Senado temos rabo preso, atire a primeira pedra quem nunca pecou com o dinheiro público); e a de que ele “exige respeito” por sua história (e sua versão singular de como não colaborou com o autoritarismo militar). Todos os males que Sérgio Buarque identificou nas raízes do Brasil frutificam ali.

Por isso mesmo, os que apontam as oligarquias estaduais como barreiras para a democracia capitalista brasileira estão equivocados. Como o PT e o PSDB demonstraram, e como nossa vida cotidiana demonstra o tempo todo, o pensamento oligárquico – que confunde instituição e personalidade sempre que convém, que vê a crítica como um obstáculo em sua comunicação com os comuns, que se exime de qualquer erro e se gaba até do que não fez sozinho – vai muito além dos atos e palavras desses clãs de poder. Em graus diferentes, é aceito e reproduzido por quase toda a sociedade. Parafraseando Joaquim Nabuco sobre a escravidão, permanecerá por muito tempo como a característica nacional.

("Sinopse")