Kara, o Assessor
Jornal ValeParaibano - 02.04.10
Ministérios do governo Lula foram terra fértil para o loteamento de cargos entre oligarcas

Quem diria? O ex-deputado federal Ary Kara José (PMDB) virou funcionário do governo Lula, nomeado pelo novo ministro da Agricultura, Wagner Rossi, assessor especial da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Kara teria sido convidado para o cargo por seus conhecimentos como proprietário rural e, sem ter um local fixo para trabalhar, concilia a nova função com a presidência do Taubaté Esporte Clube.
Sem nenhuma estrutura no Vale do Paraíba, a Conab tem apenas quatro unidades operacionais no Estado de São Paulo, nos municípios de Bauru, Bernardino de Campos, Carapicuíba e Garça. No organograma do governo federal, portanto, é uma estatal sem nenhuma visibilidade pública, ideal para a distribuição de sinecuras para os antigos aliados do ministro Wagner Rossi no ninho quercista. Além de Ary Kara, o seleto grupo de apadrinhados políticos inclui outros cartolas do interior paulista e, supreendentemente, um sobrinho do ex-governador Orestes Quércia (PMDB) --o mesmo que agora posa de aliado político dos tucanos em São Paulo.
O loteamento de cargos à sombra dos ministérios dominados por oligarquias políticas foi um dos maiores erros do governo Lula. A exoneração de dez ministros que irão disputar as eleições, entre eles alguns dos expoentes da prática secular de usar os cofres públicos em benefício de apaniguados, pôs em evidência a contradição de um governo que prometeu mudar a maneira de fazer política no país e reproduziu tudo o que havia de pior neste mundo peculiar. Deixaram a administração federal, para o bem da causa pública, figuras como Edison Lobão (Minas e Energia), Alfredo Nascimento (Transportes), Geddel Vieira Lima (Integração Nacional). Em dois ministérios controlados pelo PMDB, no entanto, os substitutos dos demissionários não têm perfil técnico: nas Comunicações, com a posse do ex-assessor parlamentar José Artur Filardi Leite, e na supracitada pasta da Agricultura, onde o ministro Reinhold Stephanes foi atropelado pela cúpula do PMDB e obrigado a "engolir" Wagner Rossi.
A brisa na Esplanada dos Ministérios é benfazeja, mas temporária. Qualquer que seja o resultado das eleições presidenciais, depois de outubro, haverá um realinhamento político e os cargos destinados aos técnicos serão novamente ocupados pelas oligarquias. Além disso, nada indica que haverá uma varredura nos cargos de terceiro e quarto escalões, ocupados em larga escala por cabos eleitorais dos ministros demissionários.
Infelizmente, a lógica da governabilidade também norteou o preenchimento de cargos públicos no governo de São Paulo ao longo do últimos 15 anos. Assim, nada indica que, entre os principais candidatos ao Planalto, haverá quem defenda uma mudança efetiva nesta prática a partir de 2011.






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