ISTO É DINHEIRO
O luxo venceu a luxúria
O Café Photo, a mais tradicional casa de tolerância de São Paulo, está em ruínas. Em seu lugar serão erguidos apartamentos de alto padrão, vendidos por até R$ 13 milhões
Tom Carddoso

Luto na noite pa ulistana: José Auriemo, principal controlador da JHSF, venceu a briga judicial contra os proprietários do Café Photo e tratou de colocar rapidamente abaixo a casa noturna, que durante anos serviu como ponto de diversão e negócios para empresários
Desde a terça-feira 2, Fátima, 18 anos, estudante de fisioterapia, não volta ao casarão da avenida Hélio Pelegrino. Era ali que a morena, comparada, pelos atributos físicos, à atriz Juliana Paes, costumava passar todas as noites. Desempregada, Fátima é vista hoje perambulando pelas ruas de Moema, onde mora. O empresário J.S,. 54 anos, casado, dono de uma barriga proeminente, também não voltou mais ao 480 da Hélio Pelegrino, o mesmo local em que ele fortaleceu sua rede de clientes, assinou grandes contratos e se sentia mais belo ao encontrar a sua Juliana Paes.
O Café Photo, a casa de tolerância mais famosa de São Paulo, está em ruínas. Dona do terreno onde funcionava o estabelecimento, a JHSF, grupo com tentáculos espalhados em várias áreas de atuação, começou a demoli-lo por ordem de José Auriemo. Principal controlador da construtora, Auriemo venceu a batalha judicial contra os proprietários do Café Photo, que se arrastava desde 2007. Com a vitória nos tribunais, o empresário erguerá duas torres residenciais de alto padrão, com apartamentos entre 421 m2 e 1.224 m2, com preços que variam de R$ 4,5 milhões a R$ 13 milhões. A disputa entre o Photo e a JHSF lembra outra querela judicial envolvendo uma grande corporação e um adversário de pouca força econômica. Há anos, o Grupo Silvio Santos, dono do terreno onde funciona o Teatro Oficina, do diretor José Celso Martinez Corrêa, tenta desocupar a área para construir um shopping center.

Os cerca de 100 funcionários e as "frequentadoras" do Café Photo, provavelmente, não ficarão desempregados. Para tanto, torcem para que o proprietário do estabelecimento, o empresário Alberto da Mata, consiga convencer os técnicos da Subprefeitura de Pinheiros a concederem o alvará para que ele abra, em breve, uma nova sede na Juscelino Kubitschek, não muito distante do antigo endereço. Ao longo dos anos, o Café Photo tornouse um palco de grandes negócios - e não apenas daqueles firmados entre os frequentadores e as moças de corpo escultural. Executivos e empresários utilizavam os "serviços" oferecidos no local para angariar a simpatia de potenciais clientes.
Muitas vezes o fechamento de grandes contratos comerciais eram comemorados ali, regados a uísque, vodca e carinhos de aluguel. Diretores e gerentes de filiais de multinacionais carregavam os visitantes da matriz para lá, como forma de criar uma cumplicidade que poderia ser útil tempos depois. A casa também era a preferida de jogadores de futebol e de mecânicos do circuito de Fórmula 1. "Em época de Grande Prêmio chegamos a aumentar 50% o nosso faturamento", diz Márcio Bueno, advogado do Café Photo.
Para inaugurar a nova casa, o proprietário do Café Photo terá também de resistir aos protestos da vizinhança que promete fazer barulho caso o estabelecimento consiga seu alvará. A Associação de Moradores da Vila Nova Conceição já começou a reunir um abaixo-assinado contra o empreendimento. Segundo Bueno, o protesto não faz sentido, já que a casa nem deveria ser chamada de prostíbulo, pois oferece inúmeras opções de lazer para seus clientes. "Somos, além de um polo gerador de emprego, importantes para o turismo da cidade", afirma Bueno. "Temos de tudo aqui. Bar e restaurante de alto padrão. Garanto que a comidinha é muito boa."







.gif)









Nenhum comentário:
Postar um comentário