terça-feira, 14 de setembro de 2010

AS COMADRES - ALGO DE PODRE NO REINO


Erenice recebeu em casa filho lobista e o cliente dele

Fábio Pozzebom/ABr




Nas explicações que deu para Lula e auxiliares do presidente, a ministra Erenice Guerra (Casa Civil) admitiu: recebeu no apartamento funcional que lhe servia de residência em Brasília o empresário Fábio Baracat.



O mesmo Baracat que negociava com o filho da ministra, Israel Guerra, negócios da MTA Linhas Aéreas com o governo. Em seus relatos, Erenice não precisou a data do encontro. Mas deu a entender que ocorreu quando ainda era secretária-executiva de Dilma Rousseff.



Ex-braço direito de Dilma, Erenice herdou-lhe a cadeira de chefe da Casa Civil no final de março, quando a amiga virou pré-candidata à sucessão de Lula. A nova ministra alegou que Baract foi levado à casa dela por Israel Guerra. Disse que o recebeu como “amigo” do filho, não como empresário.



Assegurou a Lula que, no encontro com Baracat, não tratou de negócios. Disse que tampouco mencionou na conversa temas governamentais. Ou seja, considerando-se os “esclarecimentos” de Erenice, Baracat foi recebido para um encontro social.



Em nota que divulgara no final de semana, Erenice não mencionara o encontro. Limitara-se a refutar notícia veiculada por ‘Veja’. Na peça, a revista informara que Israel Guerra havia levado Baracat à presença de Erenice para atestar que tricotava interesses privados no governo com o aval da mãe-ministra.



Em sua nota, além de refutar a notícia e informar que processaria ‘Veja’, Erenice anotara que as explicações providas por ela e pelo filho haviam sido ignoradas. Não é bem assim. Israel enviara à revista, na última sexta-feira (10), um e-mail. No texto, reconhece ter trabalhado para Baract.



Anota que o empresário o havia procurado “no final do mês de dezembro de 2009”. Para quê? Solcitara “ajuda no sentido de trabalhar para resolver” uma "situação". Que situação? A MTA Linhas Aéreas precisava renovar sua licença de vôo na Anac, a agência que regula a aviação civil no país.



A licença, que havia expirado, foi efetivamente renovada, como noticiado. “Eu construi a argumentação e o embasamento legal da referida peça”, anotou Israel. O filho de Erenice também confirmou no e-mail que recebeu um “pagamento” por seus préstimos. Nesse ponto, injetou no enredo a firma Capital.



Segundo ‘Veja’, a Capital Assessoria e Consultoria foi aberta em julho do ano passado e já se encontra desativada. Na inscrição da Junta Comercial, constam como sócios: Saulo Guerra, outro filho de Erenice, e Sônia Castro, mãe de Vinícius Castro, assessor da Casa Civil.



Veja sustenta que os verdadeiros sócios são Israel e Vinícius, exonerado da Presidência nesta segunda (13). Pois bem, no e-mail que Erenice dissera ter sido ignorado pela revista, Israel diz ter encarecido a Saulo Guerra uma “gentileza”.



Escreveu: “Solicitei a gentileza de meu irmão, que a Capital emitisse nota fiscal para cobrança do pagamento” que lhe devia a MTA.



De resto, Israel informou que havia conhecido o empresário Fábio Baracat “em meados de 2008”. Reconheceu tê-lo “apresentado” à mãe. Teve o cuidado de escrever que a apresentação se deu “em momento social” e “na condição de amigo meu”.



A exemplo de Erenice, Fábio Baract também divulgara nota no final de semana. O texto destinava-se a desmentir a revista. “Fui mais uma personagem de um joguete político-eleitoral”, escreveu. Porém, o empresário admitiu:



“Durante o período em que atuei na defesa dos interesses comerciais da MTA, conheci Israel Guerra”. Definiu o filho de Erenice não como amigo, mas como “profissional que atuava na organização da documentação para participar de licitações”.



Confirmou também ter realizado negócios com Israel. Coisa que previa “remuneração” e incluía “percentual sobre eventual êxito”. Em sua notícia, 'Veja' fizera referência a uma “taxa de sucesso” de 6% sobre os negócios fechados.



Informa que, em troca de recebimentos de R$ 84 milhões dos Correios, empresa com a qual a MTA mantém contratos, a remuneração paga foi de R$ 5 milhões.



Erenice encontrou-se com Lula na noite de domingo (12). O chefe decidiu mantê-la no cargo. Demitiu-se da Casa Civil apenas o subalterno Vinícius Castro, apontado como parceiro de lobby do filho da ministra.



Erenice cuidou de reafirmou que processará ‘Veja’ e enviou ofício à Comissão de Ética da Presidência, pedindo que averigue o caso. No texto, se dispôs a abrir, “se necessário”, os sigilos bancário, fiscal e telefônico. Os dela e os do filho.



Em viagem a Santa Catarina, Lula serviu-se de uma solenidade pública para discursar sobre corrupção. Vangloriou-se das prisões que a PF realizou no Amapá. Absteve-se de dizer que, entre os encarcerados, estão políticos para os quais pedia voto na TV.



“Quando tem roubo a gente pega”, disse Lula. “Se for bandido e a gente descobrir, a gente pega”. Sem mencionar o ‘Erenecigate’, insinuou: Em “ano de política, sempre aparecem todas as denúncias do mundo”. Acrescentou: “Terminam as eleições, as denúncias acabam”.



Não citou o nome de José Serra, rival de sua pupila Dilma Rousseff. Mas deu a entender que, embora o visse como amigo, estranha que esteja injetando “ódio” na sucessão. Comparou o quadro eleitoral a um “divórcio litigioso".

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