Repórter relata os bastidores da reportagem sobre a farra dos vereadores
Giovani Grizotti mostra no Canal F as dificuldades e a estratégia usada para conseguir as informações. O caso teve repercussão e os vereadores mostrados na matéria serão investigados.
A ideia dessa reportagem na verdade foi retomar um assunto que a gente iniciou há quatro anos, quando nós mostramos pela primeira vez a farra dos vereadores que, a pretexto de participarem de cursos de qualificação, faziam turismo com dinheiro público.
Reveja: Vereadores fazem viagens às custas do dinheiro dos contribuintes
Só que agora foi bem mais difícil, porque em função daquela primeira reportagem, os vereadores passaram a ficar muito precavidos. Eles passaram a desconfiar, passaram a adotar estratégias pra não serem descobertos principalmente pela imprensa.
Necessidade de infiltrar um assessor nos cursos.
Então nesse caso, além de algumas gravações que nós fizemos pessoalmente, eu e mais o cinegrafista Giancarlo Barzi, com câmera escondida, nós decidimos infiltrar um assessor.
Esse assessor é conhecido nosso; ele já trabalhou como assessor parlamentar numa Câmara Municipal, e então ele próprio fez as inscrições em vários desses cursos que nós mostramos na reportagem.
Conseguimos um vereador na região metropolitana de Porto Alegre que se dispôs a confirmar que esse assessor realmente trabalhava com ele - claro, tudo pra evitar que houvesse vazamento desse nossa infiltração, e esse assessor passou a participar de vários cursos e flagrar situações mais absurdas, como essas que foram flagradas na reportagem: compra de diplomas - até em nome de jogador de futebol, assinatura de listas de presença, antes mesmo de começar o curso e farras patrocinadas com o dinheiro público.
Reunião diária com a equipe para definir estratégias
A cada nova gravação, a cada curso que nós participávamos e que nós documentávamos, a gente se reunia no quarto do hotel, como mostra essa imagem, pra discutir o que foi feito naquele dia e pra traçar estratégias que seriam adotadas no dia seguinte. A gente olhava o material, olhava os vídeos, transcrevia para papel o conteúdo e fazia uma avaliação pra saber se o material estava de acordo ou se havia necessidade de refazer alguma gravação.
Nós usávamos um carro que ficava estacionado próximo ao local dos cursos, um carro com vidro escuro, pelo qual a gente conseguia enxergar as pessoas que estavam do lado de fora, mas os políticos que participavam dos cursos não nos enxergavam. Então eram situações bastante estranhas, porque ficávamos a menos de um metro dos vereadores.
Troca constante de carros para não deixar pistas
Em vários momentos nós tínhamos que trocar de carro - por exemplo, abandonar o carro da reportagem e pegar um táxi, porque eles passaram a desconfiar do carro de reportagem, que evidentemente não tinha nenhum tipo de logotipo, e situações até que nós tivemos que usar motoboys, mototáxis.
Repórter aborda assessor infiltrado para não haver desconfiança
Houve um momento que nós tivemos que fazer um certo teatro pra que ninguém desconfiasse de que esse assessor tinha sido infiltrado pela reportagem. E nós abordamos esse assessor como se nós estivéssemos também atrás dele, partindo em busca de explicações de o porquê dele estar viajando para uma cidade como Foz do Iguaçu e no lugar das aulas fazer turismo com dinheiro público.
Houve uma situação também bastante curiosa em Recife, onde eu próprio me inscrevi no curso, em que um vereador de Tubarão, que a gente mostrou na reportagem do Fantástico, chegou pra conversar comigo e falou que havia uma desconfiança entre os alunos do curso, de que poderia haver um jornalista circulando ali por perto.
Aí falei pra ele: "Não, realmente isso é muito complicado, a gente tem que se cuidar, porque a gente tá aqui na verdade pra fazer passeios, e não pra assistir aos cursos...".
Eu acho que isso tranquilizou ele um pouco. Pelo menos ele descartou a possibilidade de que eu pudesse ser esse jornalista, mas por precaução não retornei mais ao hotel; saí do hotel, e a gente passou então a seguir os vereadores do lado de fora.
Vereadores mostrados na reportagem serão investigados
A reportagem teve consequências imediatas. Nesta segunda-feira foram cumpridos mandados de busca e apreensão em algumas Câmaras de Vereadores no Rio Grande do Sul mostradas na reportagem. Em Triunfo, por exemplo, foram apreendidos documentos, e essas pessoas que foram flagradas pelo Fantástico passaram a ser investigadas.







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