Ligações mostram que delegado ficou irritado quando soube que namorado da filha não foi aprovado em concurso para escrivão da Polícia Civil
Rodrigo Rangel, de O Estado de S. Paulo
BRASÍLIA - Novos diálogos interceptados pela Polícia Federal revelam detalhes de uma articulação do secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, para conseguir aprovar o genro em um concurso público para preenchimento de vagas de escrivão da Polícia Civil de São Paulo.
De acordo com as gravações, às quais o Estado teve acesso, antes mesmo da aplicação das provas, Tuma Júnior já havia feito chegar à Academia de Polícia de São Paulo, órgão encarregado de realizar os concursos da Polícia Civil, o heterodoxo pedido: queria, de todo modo, que o namorado da filha fosse aprovado.
As conversas mostram que Tuma Júnior ficou irritado quando soube que seu "futuro genro" havia ficado fora da lista de aprovados. É quando começa uma sucessão de telefonemas para tentar reverter o resultado. Do outro lado da linha, em todos os diálogos, estava o policial Paulo Guilherme Mello, o Guga, braço direito de Tuma Júnior no Ministério da Justiça.
Mello, um dos alvos da investigação da Polícia Federal, havia sido encarregado por Tuma Júnior para cuidar da "aprovação" do genro do secretário.
‘Pedidos’. O próprio secretário nacional de Justiça trata do assunto num dos telefonemas, em 19 de junho do ano passado. "Vê com aqueles cornos lá o que aconteceu lá, naquele rapaz lá, que cê foi falar aquela vez", ordenou a Mello.
Como o resultado já estava publicado, o próprio Tuma sugeriu que uma solução seria o genro apresentar um recurso - o que, em sua avaliação, poderia ajudar a reverter a reprovação. "Eu mandei ele fazer recurso", disse o secretário.
O assessor Mello relata as providências que adotara para atender ao pedido do chefe. "Eu falei com a pessoa que cê mandou eu falar (...) e aquele dia mesmo ele já ligou pra alguém, né, na minha frente." Tuma Júnior lamenta mais uma vez: "Que sacanagem, cara". Nas conversas, nem ele, nem seu assessor dizem o nome do genro do secretário.
Ao ouvir a cobrança do chefe, o assessor afirma que voltou à pessoa que havia procurado inicialmente para transmitir o pedido: "Eu falei inclusive hoje de novo com ele, com o moço lá, e ele... ele falou que ia falar com o cara." Por fim, Mello atalha: "Agora, se tem essa possibilidade do recurso, depois eu entro em contato com ele, já me dá uma cópia aí eu levo pra ele de novo."
A pessoa com quem Mello disse ter conversado, de acordo com os relatórios da Polícia Federal, é o delegado Antônio Carlos Bueno Torres, atualmente lotado no Denarc.
No contato, duas horas antes do diálogo com Tuma, Mello cobrou do delegado: "Escuta, você lembra que eu fui te visitar e o Leocádio (segundo a PF, Leocádio é como o assessor se refere a Tuma) pediu pra eu te passar o nome de uma pessoa?". "Positivo", responde Torres. "Então, ele chegou (...) de viagem hoje cedo e me cobrou isso aí, falou que não virou lá o negócio, né, e pediu pra ligar pra você pra perguntar o que aconteceu (...) Depois você liga pra ele lá, hein."
O delegado Torres de pronto lembra do pedido - "P., era do futuro genro dele" - e afirma ter repassado a demanda para um certo Adilson, que a PF ser o delegado Adilson Vieira Pinto, diretor da Academia de Polícia de São Paulo. "Pô, falei direto com o Adilson, que é o diretor lá. Eu vou tentar reconstituir aí", diz o delegado. "Então, ele vai te cobrar aí", afirma o assessor. O delegado promete empenho: "C..., eu vou correr atrás aí..."
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7 clara leonor vaz guimaraes prudente de
06 de maio de 2010 | 7h 53Denunciar este comentário
Este individuo tem que ser afastado imediatamente do cargo que ocupa, a sua permanencia prejudicara as investigações. Embora a tendencia do Governo é ser solidario com estes tipo de problema quando se trata de seus correligionarios,afirmando acredita no principio da inocencia, devemos precionar para que ele saia da condição de responder pela Justiça brasileira sendo suspeito de crime grave. Não é possivel que um indiviiduo com este tipo de suspeita responda pela Justiça brasileira em qualquer nivel. Precisamos resgatar a nossa dignidade exigindo sua demissão. Não é possivel que a população continue a assistir este circo de horrores que se tornou a classe politica como se achasse tudo normal e aceitavel. Estariamos cometendo um crime de cumplicidade. Tem que acabar o rouba mais faz.
6 Jin Ho Kendo
06 de maio de 2010 | 7h 31Denunciar este comentário
A bandidagem corporativa e estatal já tomou dimensões tão grandes que os mesmos não se incomodam nem um pouco com alguma investigação por agir ilicitamente. Infelizmente, as instituições estatais, muitas vezes, são comandadas por gente INCOMPETENTE que não tem perfil adequado e nem conhecimento para atuar em determinado cargo. Muitas vezes são apadrinhados, e o resultado é esse. PAÍS DA IMPUNIDADE E DA MARACUTAIA !!! O engraçado é que o GOVERNO FEDERAL defende a MORALIDADE, mas nos seus quadros funcionais mais importantes são compostos por pessoas totalmente incompetentes, corruptas e imorais. PAÍS DA BANDIDAGEM!!! O resultado é o que vemos nas RUAS....polícia agindo como adolescente e matando MOTOBOY, saúde pública em caos total, educação anêmica e ineficiente. Triste, mas assim é o BRASIL.
5 Paulo Adriano
06 de maio de 2010 | 5h 59Denunciar este comentário
E esse cara é SECRETÁRIO NACIONAL DE JUSTIÇA ??????. Como eles mesmos dizem: A CASA CAIU !!!!. Só que essa casa é o Brasil
Estadão.com.br: "– Enviado usando a Barra de Ferramentas Google"
ÁUDIO
Ouça o diálogo entre Tuma Junior e Li interceptado pela PF - Trecho 3
Investigando Paulo Li, os policiais descobriram seus laços com o secretário. Nos telefonemas gravados com autorização judicial, as conversas são frequentes
ATENÇÃO:- ÁUDIO COM PALAVRÕES, PALAVRAS CHULAS, ETC...
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