
Relacionamentos
Maconha
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Há seis anos namoro um rapaz dois anos mais novo que eu. Tenho 31 e ele 29. Nos conhecemos na faculdade, estamos noivos e com planos de nos casar em 2011. O meu dilema, desde o início do relacionamento, é que ele fuma maconha. No início, ao descobrir, me revoltei. Me perguntava como uma pessoa tão legal pode se deixar levar por esse tipo de coisa. Tentei convencê-lo a parar, mas foi inútil. Certo dia, experimentei um cigarro para conhecer a sensação. Hoje fumo com ele de vez em quando e até gosto, mas isso é algo que não me domina e de que não sinto falta. Já ele, precisa da maconha para ficar relaxado, alegre…
Às vezes, penso que gosto mais dele quando está sob o efeito da maconha, pois fica menos sisudo. Ele tem muitos problemas familiares que o atrapalham e que ele não procura resolver. O que mais me preocupa é que fui criada para rejeitar este tipo de coisa. Sempre fui a filha certinha, a aluna “caxias”, a profissional responsável. Me pergunto como será quando nos casarmos e tivermos filhos. Qual a importância que a maconha terá em nossas vidas e como conseguiremos evitar que nossos filhos “experimentem”. Gostaria de saber sua opinião sobre isso.
O problema não é a maconha, mas a dependência. Você fumou, gostou e não depende dela. O mesmo pode acontecer com os seus filhos se eles não estiverem predispostos ao vício. De acordo com o e-mail, seu namorado é dependente porque não procura resolver os problemas que tem, não encara os fatos. A origem da dependência, em geral, é o desejo de escapar à realidade da qual, aliás, o sujeito acaba se tornando vítima. Por isso, o recurso à droga é problemático. Entre os povos primitivos não era, graças à ritualização do consumo. As sociedades pré-colombianas utilizavam muitas plantas para os ritos religiosos. O tabaco, a coca e a maconha eram plantas sagradas, usadas pelos xamãs para atingir a dimensão espiritual da realidade e se comunicar com todos os seres.
O consumo se dava em jejum e era acompanhado de luz e som, movimentos corporais repetidos a fim de chegar ao transe, que tornava visível o invisível e permitia entrar em contacto com os espíritos da natureza para agir sobre ela. Ao contrário do que acontece conosco, a droga estava a serviço da coletividade e encontrava nesta a sua razão de ser. Os povos primitivos também eram mais civilizados por não serem vítimas do individualismo e não fazerem um uso nocivo da droga.
Por Betty Milan







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